Adorai aquel que fez as aguas Introdução



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Adorai aquel que fez as aguas
Introdução - Com a efervescência da questão dominical nos Estados Unidos, e da iminente mudança da Constituição norte-americana, a Igreja logo perceberá que o tempo do retorno de Cristo se aproxima velozmente. A mensagem será proclamada então com o máximo poder (Alto Clamor, Chuva Serôdia). Nessa ocasião, tudo será desmascarado (ver O Grande Conflito, pág. 612), inclusive o evolucionismo, que nega o Criador.

Os milhões de fósseis são uma prova inequívoca do dilúvio universal, e uma evidência bíblica do poder de Deus que fez as águas. Os paleontólogos, que estudam os fósseis, são unânimes em destacar que, para serem preservados, os fósseis necessitam de soterramento rápido e grande massa de água. A extinção repentina demonstra que houve uma convulsão em todo o Planeta.

"Nos dias de Noé, homens, animais e árvores, muitas vezes maiores do que os que hoje existem, foram sepultados, e assim conservados, como prova, para as gerações posteriores de que os antediluvianos pereceram por um dilúvio." -Patriarcas e Profetas, pág. 112.

No livro Spiritual Gifts, vol. 3, págs. 92 e 95, a escritora Ellen White acrescenta que "ossos de homens maiores do que os que estão sobre a terra", "instrumentos de guerra", "outros objetos", foram preservados e serão encontrados "como evidência" do Dilúvio. As

evidências do dilúvio universal começaram a ser ampliadas a partir da década de 90. Serão uma prova da veracidade bíblica e farão parte da tríplice mensagem angélica, e daqui para o futuro tenderão a se multiplicar.

Onde surgirão as maiores evidências? Deus surpreenderá o mundo, e há indícios de que essas evidências poderão surgir em alguns lugares.

1. O mar, as altas cordilheiras e montanhas. Durante e após o Dilúvio, a Terra entrou em convulsão. Podemos imaginar que os movimentos tectônicos da crosta terrestre modificaram a situação anterior. As cordilheiras, formadas pelo dobramento das placas tectônicas, são locais em que há grande possibilidade de encontrar fósseis. Pode ser que no lado oposto do que hoje é o mar, as cordilheiras formadas pelas dobras da placa tectônica apresentem grande quantidade de fósseis.

Apesar das circunstâncias especiais do soterramento dos seres humanos (e este possa ser um ponto débil do Criacionismo, pois os fósseis humanos descobertos até agora são pós-diluvianos), cremos que no futuro serão encontrados fósseis humanos gigantes, antediluvianos, e isso destruirá a evolução.

Apesar da postura de alguns cépticos adventistas, outra grande surpresa poderá ser a descoberta da arca de Noé, a qual "estaria isenta de apodrecimento durante centenas de anos" (Patriarcas e Profetas, pág. 95). Não

falamos de pedaços de madeira, mas a própria, com análise minuciosa de seu interior, revelando ao mundo o maior descobrimento arqueológico do Planeta, com uma tecnologia surpreendente. O Àrarat poderá surpreender. Além disso, será interessante observar as pesquisas arqueológicas na região, até 501 quilômetros do Ararat, que é o berço de toda a humanidade pós-diluviana: Amiênia, Tlirquia, Síria, Geórgia, Iraque, Irã.

2. Regiões e montanhas cobertas de gelo (água). Nos

últimos 50 anos, o aumento da temperatura da Terra foi de 2,5° C, e o ano passado foi o mais quente desde 1861, provocando derretimento do gelo, e isso facilita a pesquisa em lugares como: Pólo Norte, Pólo Sul, Alasca, Groenlândia, Canadá, Sibéria e extremo sul da Argentina e Chile. Assim, nos quatro últimos anos estão sendo encontrados centenas de ossos e restos fósseis de dinossauros e outros animais nas regiões polares.

No futuro, a descoberta de fósseis vai aumentar muito, incluindo fósseis humanos antediluvianos nas atuais regiões "desoladas" do gelo, em boas condições de preservação.

3. Carvão fóssil e vegetais fósseis. "Nesse tempo imensas florestas foram sepultadas. Estas foram depois transformadas em carvão, formando as extensas camadas carboníferas que hoje existem, etambém fornecendo grande quantidade de óleo." - Patriarcas e Profetas, pág. 108.

Os evolucionistas encontram grande dificuldade para explicar adequadamente a evolução vegetal, no chamado Período Carbonífero, no qual há milhões de toneladas de fósseis vegetais. Só os cegos não percebem a evidência de destruição repentina. Além disso, seria "impossível" encontrar fósseis humanos nesses depósitos, pois eles só teriam surgido 320 milhões de anos depois, segundo a evolução.

Começam a ser encontrados animais que "não poderiam" estar junto com esses vegetais, pois teriam surgido entre 100 a 200 milhões de anos depois, conforme deseja a evolução.

Nessas massas de vegetais fósseis, surgirão grandes surpresas que poderão colocar a evolução numa situação difícil, tais como seres humanos completos, objetos e artefatos produzidos por antediluvianos, o que seria "impossível" no esquema evolucionista.

4. Âmbar. Outra fonte impressionante de informações fósseis são os dados extraídos do âmbar. Essas resinas vegetais, a maioria de coníferas, englobam algas, amebas, protozoários, rotíferos, sementes, grãos de pólen, pseudo-escorpionídeos, rãs, lagartixas, insetos, pequenos animais que ficaram muito bem preservados, etc.

Para os evolucionistas, os depósitos de âmbar fossilíferos devem ter de 20 a 90 milhões de anos, mas descobertas recentes estão reduzindo essas datas em milhares de anos.

Em 1994, vespas de figo (20 milhões de anos?), preservadas em âmbar, mostraram que carregavam os mesmos parasitas que hoje infestam as mesmas vespas. Portanto, o período tem que ser menor. Em 1995, o microbiologista Raul Cano extraiu bactérias do abdômen de abelhas semelhantes às encontradas hoje. Em 1996, em Newjersey, EUA, foi encontrado um verdadeiro tesouro fóssil. Uma peça de âmbar de 40 kg contendo 100 espécies de fósseis desconhecidas de insetos e plantas, incluindo um pequeno ramo de flores, o mais antigo mosquito fossilizado, a mais antiga abelha, e até uma pena de pássaro.

Outra descoberta intrigante, ocorrida na República Dominicana, foi o fato de terem encontrado pela primeira vez em âmbar, um osso de mamífero tão bem preservado que ainda havia pedaços de tecidos presos à coluna vertebral, e costelas de um pequeno animal que teria sido regurgitado por outro animal.

A análise do material coletado em âmbar dará detalhes impressionantes sobre esses insetos e outros animais, muitos dos quais semelhantes às espécies atuais, colocando em dúvida a idade presumida.

E se, de repente, encontrarem evidências de artefatos humanos ou indícios de atuação humana preservados no âmbar?

5. Desertos. Outra significativa fonte de informações está vindo dos desertos. Os animais mortos foram fossilizados e se depositaram. O clima se tornou inóspito logo após o Dilúvio, formando os desertos, e os ossos acabaram preservados pelo clima desértico. No deserto do Saara (Niger), em 1994, foram conseguidas seis toneladas de ossos de dinossauros.

No deserto de Gobi, na Mongólia, foram conseguidos cinco mil ovos de dinossauros, com centenas de esqueletos fossilizados. Havia crânios de mais de 400 mamíferos e lagartos.

No Saara marroquino, em Kem Kem, Paul Sereno, da Universidade de Chicago, encontrou dezenas de fósseis de animais e dinossauros gigantes, em 1996.

Recentemente (O Estado de S. Paulo, 26-4-97), uma equipe internacional de paleontólogos encontrou, na região nordeste da China, um dos maiores depósitos fossilíferos, com dinossauros, cujos órgãos internos estão preservados, incluindo parte de um mamífero ingerido pouco antes, bem como um oviduto, contendo um ovo.

Também foram encontrados 200 pássaros fósseis (Confucius ornis) e inúmeras espécies de mamíferos, insetos e plantas.

Os cientistas supõem uma "breve e letal catástrofe". Talvez uma gigantesca erupção vulcânica "tenha matado e soterrado tudo o que havia".

Novas descobertas ocorrerão nos desertos, sendo possível também encontrar homens gigantes com esses animais.

6. Descobertas de "fósseis vivos". Um fóssil vivo é um animal ou vegetal que só era conhecido como fóssil e que repentinamente descobriram que existia vivo e se reproduzindo em algum lugar do mundo com as mesmas características do fóssil. Portanto, não "evoluiu", e a idade tem que ser reduzida em milhares de anos.
Registro contínuo

No livro O Enigma das Origens: A Resposta (Editora Origens), editado por Henry M. Morris, fundador do Instttute for Creation Research, e traduzido por Adiei de A. Oliveira, há uma cadeia de raciocínio sobre a ausência de interrupções cronológicas entre as várias eras. A obra, de cunho criacionista, defende a idéia de que a coluna geológica mostra evidência de formação rápida. Eis o resumo que aparece nas páginas 115 e 116:

1. Cada estrato deve ter sido formado rapidamente, visto que representa uma série constante de fatores hidráulicos que não podem permanecer constantes por muito tempo.

2. Cada estrato sucessivo em uma formação deve ter-se seguido imediatamente ao estrato precedente, visto que as suas irregularidades superficiais não foram truncadas pela erosão.

3. Portanto, toda a formação deve ter ocorrido contínua e rapidamente. Isto é confirmado ainda pelo fato de que o seu tipo rochoso não pode ser resultado de uma formação rápida, e seus conteúdos fósseis de um sepultamento rápido e permanente.

4. Embora a formação possa ser coberta por uma inconformidade, não existe inconformidade de âmbito mundial, de forma que se ela é observada lateralmente em distância suficientemente longa, pouco a pouco e imperceptível mente ela passará a compor uma outra formação, que portanto a sucede contínua e rapidamente, sem interrupção cronológica naquele ponto.

5. O mesmo raciocínio mostra que estratos da segunda formação também foram formados rápida e continuamente e, de igual modo, a terceira formação, em alguns locais, sucedendo àquela.

6. Assim, estrato por estrato e formação por formação, pode-se passar por toda a coluna geológica, provando que toda a coluna foi formada rápida e continuamente.

7. A fusão de uma formação com a seguinte é indicada também pelo reconhecido fato de que raramente há um limite físico claro entre as formações. Mais comumente os tipos de rochas tendem a fundir-se e mesclar-se mutuamente numa zona de considerável espessura.
O Celacanto, fóssil de peixe "redescoberto" em 1938, com 1,5 m de comprimento, trouxe das profundezas da água um fóssil que, segundo os cientistas evolucionistas, teria 400 milhões de anos. Ele foi encontrado vivo, perto das Ilhas Comores, no Oceano Índico. Em 1976, foi descoberto um crustáceo "Neoglyphea inopinata", que se julgava extinto havia 100 milhões de anos. Foi encontrado nas Filipinas.

Em 1994 foi encontrada na Austrália uma espécie de pinheiro pré-histórico, no Parque Nacional de Wollemi, extinta durante o jurássico e cretáceo, que teria entre 140 e 195 milhões de anos, uma árvore de 40 metros de altura. Foram identificados 42 pés dessas árvores.

Até no Brasil, um cientista norte-americano, David Owen, da Universidade de Harvard, tenta encontrar no Acre uma preguiça gigante (Mapinguari), que teria quase dois metros de altura, e que só existe na forma fossilizada.

No futuro, novos fósseis vivos poderão ser encontrados de diferentes espécies, como por exemplo, paleo-fósseis marinhos, à medida que se estudem as profundidades abissais, colocando a evolução numa posição cada vez mais difícil.

7. Recuperação do material genético de fósseis. O ácido fe.oxirribonucléico (DNA) faz parte do material genético década ser vivo, e é extremamente volátil. Por isso, a possibilidade de obter o DNA de um fóssil é extremamente difícil. Como a evolução imagina que os fósseis têm milhares e até milhões de anos, a possibilidade de encontrar DNA em fósseis é nula.

Como a idade da múmia egípcia era plenamente conhecida, com idade de Carbono 14 de 2.430 anos, é possível definir um "relógio biológico", comparando-se o DNA recuperável, com o tempo.

Como foi recuperado 5%, significa que se encontramos esta quantidade de DNA, a múmia ou outro fóssil humano deveria ter aproximadamente 2.430 anos.

É uma correlação de TEMPO com DNA recuperável. E a idade é extremamente baixa. Assim sendo, só é possível admitir DNA fóssil recuperável em animais. Por exemplo, com uma IDADE extremamente RECENTE, e não de milhões de anos.

Como observamos, vamos reduzindo à metade do DNA, a cada 562 anos.

Em agosto de 1994, foram recuperadas quantidades razoáveis de DNA de quatro mamutes siberianos. Portanto, eles viveram mais recentemente do que se imaginava. Na China, foi extraído DNA de ossos de dinossauros que teriam 70 milhões de anos. Os cientistas serão obrigados a reduzir a idade do fóssil.

Foi recuperado também o DNA de rnagnólia fóssil, que teria de 17- a 20 milhões de anos. A descoberta reduziu a idade para perto de 10 mil anos, ou muito menos.

O mesmo ocorreu com a descoberta de material genético de graptólitos, pequenos organismos coloniais marinhos, que teriam 400 milhões de anos, e deverão ter sua idade reduzida.

Outra incrível recuperação de material genético fóssil foi conseguida por biólogos da Califórnia, de um cupim fóssil que teria 125 milhões de anos.

Em junho de 1997, foram recuperados elementos de sangue de Tiranossauro Rex, enterrados em condições que impediram seus ovos de serem convertidos em minerais (fossilização). Isto significa que os dinossauros são recentes, e não têm milhões de anos.

Cada vez mais será possível analisar material genético fóssil que guardará similaridade com o equivalente ser vivo atual e diminuirá drasticamente a idade de milhões de anos atribuída pela evolução.

Conclusão - A partir de dezembro de 1990 (voto DSA 90-693), foi criado, na Divisão Sul-Americana, o Instituto de Investigações em Geociências, junto à nossa Universidade na Argentina, e estamos acelerando a realização de congressos e encontros criacionistas. Em janeiro de 1999 será no IAE-SP.

Em nível de associações e campos, estamos promovendo o estabelecimento de minicentros criacionistas em cada colégio, e concitamos a todos a participar deste processo.

Outra grande vitória foi a impressão, no ano passado, de todos os livros de Ciências e de Geografia para as oito séries do Fundamental, graças ao esforço realizado pelos autores e pela Casa Publicadora Brasileira.

Neste ano, a pedido do Departamento de Educação da Divisão Sul-Americana, a Casa está lançando o livrou Terra, de autoria do Dr. Clyde Webster, do Geoscience Research Institute, e posteriormente um livro sobre Criacionismo, escrito pelo Dr. Ariel Roth.

Em Apocalipse 14:6-12, está a tríplice mensagem angélica. Neste mundo ateu e evolucionista, nós, membros desta Igreja e os alunos de nossas escolas e colégios, devemos ser cuidadosamente orientados a honrar o nosso Criador e a adorar Aquele que fez as águas.


Obras consultadas

1. Revista Ciência Hoje, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Rio de Janeiro (Revisão dos exemplares dos últimos IO anos: 1986-1977).

2. Revista Folha Criacionista, editada pela Sociedade Cria-cionista Brasileira, Brasília, DF (Revisão de todos os exemplares, de 1972-1997).

3. Revista Ciência de los Origines, editada pelo Geoscience Research Institute, EUA (Revisão de todos os exemplares: 1982-1997).

4. Revista Origins, editada pelo Geoscience Research Institute, EUA (Revisão dos exemplares: 1990-1996).

5. Jornal O Estado de S. Paulo (Revisão dos artigos e notas científicas de 1985-1998).

6. Jornal Gazeta Mercantil (Revisão dos artigos e notas científicas de 1985-1998).

7. Anais do Io e 2o Encontro de Criacionistas, Instituto Ad-ventista de Ensino, São Paulo, Brasil, 1992-1996.

8. Los Origenes, compilación de exposiciones y ponencias -Primeras Jornadas Iberoamericanas de Creacionismo, UAP, Argentina, 1997.

9. Coffin, Harold G. Creation - Accident or Design (Review and Herald Publishing Association, USA, 1969).

10. Gentry, Robert V. Creation' Stiny Mystery (Earth Science Associates, USA, 1988).

11. Webster, Clyde L. The Earth - Origins and Early History (General Conference of SDA, EUA, 1989).

12. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia - Gênesis a Deuteronômio (Pacific Press, EUA, 1978).

13. Pellante, Chris. Rocks, Minerais e Fossils of the World (Little Brown and Company, Canadá, 1990).

14. Dixon, Dougal, Bernor, Raymond L. The Practical Geolo-gist - A Fireside Book (Simon e Shuster, USA, 1992).

15. Bus bey III, Arthur B., et ai Rocks and Fossils (Time Life Books, Austrália, 1996).

16. David Ward e Cyril Waker. Fossils (Dorling Kinderslay, inc. New York, USA, 1992).

17. Thompson, Ida - National Audubon Society. Field Guide to North American Fossils (Alfred A. Knopf. Inc. USA, 1995).

18. Poinar, George, Roberta Ponar. The Quest for Life in Am-ber(Helix Books, Addison - Wesley Publishing Company, USA, 1994).

Roberto César de Azevedo, educador, biólogo (USP), é diretor de Educação da Divisão Sul-Americana


NO PRINCÍPIO: COMO INTERPRETAR GÊNESIS 1

Richard M. Davidson

"No princípio criou Deus os céus e a Terra."—Gênesis 1:1.

Com tal beleza, majestade e simplicidade começa o relato da Criação em Gênesis. Porém, uma análise do capitulo l de Gênesis não é tão simples e direta como uma leitura casual do texto bíblico poderia sugerir. A interpretação moderna da cosmogonia (estudo das origens) bíblica em Gênesis l é extremamente complicada, dividida entre uma interpretação não-literal e a literal. Vamos brevemente descrever sete destas interpretações e avaliar cada uma à luz dos dados bíblicos.



Interpretações principais de Gênesis 1

Interpretações não-literais

Estudiosos que apoiam uma interpretação não-literal de Gênesis abordam a questão de diferentes modos. Alguns consideram Gênesis l como mitologia'; outros consideram-no poesia2; alguns tomam-no como teologia3; ainda outros o consideram como simbolismo.4

Comum a todas estas interpretações não-literais é a suposição de que o relato em Gênesis não é um relato literal e histórico da Criação.

Interpretações literais

Aqueles que aceitam literalmente o relato da Criação também diferem em sua abordagem da cosmogonia bíblica de Gênesis l. Vamos indicar três pontos de vista.

Teoria de um intervalo ativo. Esta opinião é também conhecida como a teoria de ruína-restauração. Segundo esta opinião,5 Gênesis 1:1 descreve uma criação originalmente perfeita a um tempo desconhecido (milhões ou bilhões de anos atrás). Satanás era o regente deste mundo, mas por causa de sua rebelião (Isaías 14:12-17), o pecado entrou no Universo. Deus condenou a rebelião e reduziu o mundo ao estado arruinado e caótico descrito em Gênesis 1:2. Os que mantêm esta opinião traduzem Gênesis 1:2 como "a terra tornou-se sem forma e vazia".

Gênesis 1:3 e os versos seguintes apresentam então o relato de uma criação posterior na qual Deus restaura o que tinha sido arruinado. A coluna geológica é usualmente inserida no período da primeira criação (Gênesis l: l) e o caos subsequente, e não em conexão com o Dilúvio bíblico.

Teoria de uma criação prévia "sem forma e vazia".

Segundo esta interpretação os termos hebraicos tohu ("sem forma") e bohu ("vazia") em Gênesis 1:2 descrê vem o estado sem forma e sem conteúdo da Terra. O texto se refere a um estado anterior à Criação mencionada na Bíblia. Esta opinião tem duas variantes principais baseadas em duas análises gramaticais diferentes.

A primeira variante considera Gênesis 1:1 como uma cláusula dependente, em paralelo com os relatos da Criação extra-bíblicos do Oriente Próximo.6 Daí a tradução proposta: "Quando Deus começou a criar os céus e a Terra. Portanto, Gênesis 1:2 equivale a um parêntesis, que descreve o estado da Terra quando Deus começou a criar ("a Terra estando...") e Gênesis 1:3 em diante descreve a obra criadora efetiva ("E Deus disse...").

As outras variantes principais consideram Gênesis 1:1 como uma cláusula independente, e como um sumário ou introdução formal ou título que é então ampliado no resto da narrativa.7 Gênesis 1:2 é visto como uma cláusula circunstancial ligada com o verso 3:"A Terra, porém, era sem forma e vazia.... Disse Deus: 'Haja luz'."

Deste ponto de vista, apoiado por qualquer das análises gramaticais mencionadas acima. Gênesis não oferece um começo absoluto de tempo para o cosmos. Criação a partir do nada não é implicada, e não há indicação da existência de Deus antes da matéria. Nada é dito da criação da matéria original descrita no verso 2. Trevas, abismo e águas de Gênesis 1:2 já existiam no começo da atividade criadora de Deus.

Podíamos mencionar de passagem uma outra opinião pré-Criação; esta toma o verso 2 como uma cláusula dependente "quando...", mas difere da primeira variante na interpretação dos termos tohu e bohu, e os termos para "trevas" e "abismo" — todos significando "nada". Assim o verso l é visto como um sumário; o verso 2 diz que inicialmente não havia "nada"; e o verso 3 descreve o começo do processo criador.8

Teoria de um estado inicial "sem forma e vazio". Uma terceira interpretação literal da cosmogonia bíblica é a de um estado inicialmente "sem forma e vazio". Esta é a opinião tradicional, tendo o apoio da maioria dos intérpretes judeus e cristãos através da história.9 Segundo esta interpretação. Gênesis 1:1 declara que Deus criou do nada a matéria original chamada céus e Terra no ponto de seu começo absoluto. O verso 2 esclarece que quando a Terra foi primeiro criada ela estava num estado de tohu e bohu — sem forma e vazia. O verso 3 e os versos seguintes então descrevem o processo divino de dar forma ao informe e de encher o vazio.

Esta interpretação tem duas variantes. Alguns consideram os versos l e 2 como partes do primeiro dia de uma semana de sete dias. Podemos chamá-la a interpretação "sem intervalo".10 Outros vêem os versos l e 2 como uma unidade cronológica separada por um intervalo de tempo do primeiro dia da Criação descrito no verso 3. Esta opinião é usualmente chamada a do "intervalo passivo.""



Avaliação

O espaço não permite uma avaliação pormenorizada de todos os prós e centras de cada opinião aqui resumida, mas apresentaremos o esboço dos dados bíblicos que se referem às teorias sobre a origem da matéria e da vida e sua existência primitiva.



Interpretações não-literais

Ao considerar todas as interpretações não-literais e não-históricas, precisamos levar em conta dois fatos bíblicos significativos:

1. O género literário de Gênesis 1-11 indica a natureza intencionalmente literal da narrativa.12 O livro de Gênesis é estruturado pelo termo gerações (hebraico toledoth) em relação com cada seção do livro (13 vezes). Este é um termo usado alhures em conexão com genealogias que têm que ver com um relato exato de tempo e história. O uso de toledoth em Gênesis 2:4 mostra que o autor pretendia que a narrativa da Criação fosse tão literal como o resto das narrativas de Gênesis.'3 Outros escritores bíblicos tomam Gênesis 1-11 como literal. Com efeito, todos os escritores do Novo Testamento se referem a Gênesis 1-11 como história literal.'4

2. Evidência interna também indica que o relato da Criação não deve ser tomado simbolicamente como sete longos períodos segundo o modelo evolucionista — como é sugerido tanto por eruditos críticos como evangélicos. Os termos tarde e manhã significam um dia literal de 24 horas. Alhures nas Escrituras, o termo dia com um número ordinal é sempre literal. Se os dias da Criação são simbólicos. Êxodo 20:8-11 que comemora um Sábado literal não tem sentido. Referências à função do Sol e da Lua para sinais, estações, dias e anos (Gênesis l: 14), também indicam tempo literal e não simbólico. Portanto, devemos concluir que Gênesis l: l a 2:4a indica sete dias literais, consecutivos, de 24 horas.'5

Embora as interpretações não-literais devam ser rejeitadas no que negam (a saber, a natureza literal e histórica do relato de Gênesis), não obstante possuem um elemento de verdade no que afirmam. Gênesis 1-2 têm que ver com mitologia — não para afirmar uma interpretação mitológica, mas como polémica contra a antiga mitologia do Oriente Próximo.16 Gênesis 1:1 a 2:4 provavelmente são estruturados de um modo semelhante à poesia hebraica (paralelismo sintético),17 mas poesia não nega historicidade (ver, por exemplo. Êxodo 15, Daniel 7 e aproximadamente 40 por cento do Antigo Testamento, que são em poesia.) Escritores bíblicos frequentemente escrevem em poesia para afirmar historicidade.

Gênesis 1-2 apresentam uma teologia profunda: doutrinas de Deus, Criação, humanidade. Sábado, etc. Mas nas Escrituras, teologia não se opõe à história. Com efeito, a teologia bíblica tem sua raiz na história. De igual modo há um simbolismo profundo em Gênesis l. Por exemplo, a linguagem do Jardim do Éden e a ocupação de Adão e Eva claramente aludem ao simbolismo do santuário e ao trabalho dos levitas (ver Êxodo 25-40)." Assim o santuário do Éden é um símbolo ou tipo do santuário celestial. Mas porque aponta para algo diferente não diminui sua realidade literal.

Gerhard von Rad, um erudito crítico que não aceita o que Gênesis l afirma, ainda assim confessa honestamente: "O que é dito aqui [Gênesis l] é para ser tomado inteiramente e exatamente como está."19

Portanto, nós afirmamos a natureza literal e histórica do relato de Gênesis. Mas qual interpretação literal é correia?


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