Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)



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Critérios para a unanimidade

— Como foi que os primeiros líderes da igreja determinaram quais livros seriam autorizados e quais deveriam ser excluídos? — perguntei. — Que critérios foram utilizados para saber que documentos deveriam ser incluídos no Novo Testamento?

—A igreja primitiva tinha basicamente três critérios — disse ele. — Em primeiro lugar, os livros tinham de ter autoridade apostólica, quer dizer, tinham de ter sido escritos ou pelos próprios apóstolos, que foram testemunhas oculares acerca do que escreveram, ou por seus seguidores. Portanto, no caso de Marcos e Lucas, embora não pertencessem ao grupo dos 12, diz uma antiga tradição que Marcos foi ajudante de Pedro, e Lucas, companheiro de Paulo.
Em segundo lugar, havia o critério de conformidade com o que era conhecido como regra de fé. Isto é, o documento estava em harmonia com a tradição cristã básica que a igreja reconhecia normativa. E, em terceiro lugar, procurava-se estabelecer se um documento em especial gozara de aceitação e uso contínuos por toda a igreja.

— Eles simplesmente aplicavam esses critérios e pronto? — perguntei.

— Bem, não seria muito correto dizer que esses critérios eram simplesmente aplicados de modo automático — respondeu Metzger. — É claro que havia diferentes opiniões sobre quais critérios deveriam pesar mais. O que chama mais a atenção, porém, é que, apesar de a periferia do cânon ter permanecido instável durante algum tempo, havia um alto grau de unanimidade no tocante à maior parte do Novo Testamento durante os dois primeiros séculos. Foi o que aconteceu em diversas congregações espalhadas em uma área muito ampla.

— Então — eu disse — os quatro evangelhos que temos no Novo Testamento pautaram-se por esses critérios, ao passo que os outros não?

— Sim — confirmou Metzger. — Foi, se é que se pode falar assim, como se fosse uma espécie de "sobrevivência do mais apto". Quando se referia ao cânon, Arthur Darby Nock costumava dizer aos seus alunos em Harvard: "As estradas de maior trânsito da Europa são as melhores; por isso o trânsito é tão intenso". É uma boa analogia. O comentarista britânico William Barclay formulou o pensamento da seguinte maneira: 'A verdade pura e simples é que os livros do Novo Testamento entraram para o cânon porque não havia como impedi-los de entrar". Podemos estar certos de que nenhum outro livro antigo pode se comparar ao Novo Testamento em termos de importância para a história ou a doutrina cristãs. Quando estudamos a história primitiva do cânon, saímos convencidos de que é no Novo Testamento que encontramos as fontes mais fidedignas para a história de Jesus. Os que fixaram os limites do cânon tinham uma perspectiva clara e equilibrada do evangelho de Cristo. Leia os outros documentos e veja por si mesmo. Eles foram escritos depois dos quatro evangelhos, nos séculos II a VI, muito tempo depois de Jesus, e, em geral, são muito banais. Seus nomes, como o Evangelho de Pedro e o de Maria, não correspondem aos autores verdadeiros. Por outro lado, os quatro evangelhos do Novo Testamento foram prontamente aceitos com notável unanimidade como portadores de conteúdo autêntico.

Mas eu sabia que alguns estudiosos liberais, principalmente os pertencentes ao propalado Seminário Jesus, advogavam a inclusão do Evangelho de Tome em pé de igualdade com os outros quatro evangelhos tradicionais. Será que esse evangelho misterioso fora vítima de guerras políticas dentro da igreja, tendo sido finalmente excluído por causa de suas doutrinas pouco populares? Achei que tinha de testar Metzger nesse ponto.



As "palavras secretas" de Jesus

— Dr. Metzger, o Evangelho de Tome, encontrado em meio aos documentos de Nag Hammadi, descobertos no Egito em 1945, alega conter "as sentenças ocultas que o Jesus vivo pronunciou e Judas Tome, o Gêmeo, registrou".22 Por que esse evangelho não foi aceito pela igreja?

Metzger conhecia muito bem o evangelho em questão.

— O Evangelho de Tome veio à luz no século V, em uma cópia em copta, que eu traduzi para o inglês — disse ele. — Contém 114 sentenças atribuídas a Jesus, mas nenhuma narrativa do que Jesus fez. Parece ter sido escrito em grego, na Síria, por volta de 140 d.C. Em alguns casos, creio que esse evangelho relata corretamente as palavras de Jesus, com pequenas modificações.

Era uma afirmação estranha.

— Por favor, explique melhor — eu disse.

— Por exemplo, no evangelho de Tome (sent. 32), Jesus diz: "Uma cidade construída sobre alta montanha e fortificada não pode cair, nem pode estar oculta".23 Aqui, foi acrescentado o adjetivo "alto," mas o restante está em conformidade com o evangelho de Mateus. Ou quando Jesus diz: "Dêem a César as coisas que são de César e dêem a Deus as coisas que são de Deus, e me dêem o que é meu".24 Nesse caso, a última frase foi acrescentada. Todavia, existem coisas em Tome que são totalmente estranhas aos evangelhos canônicos. Jesus diz: "Cortem a madeira, ali estou. Ergam uma pedra, e me acharão ali". Isso é panteísmo, a idéia segundo a qual Jesus é coextensivo à substância deste mundo. Isso se opõe a tudo o que encontramos nos evangelhos canônicos. O evangelho de Tome termina com uma nota onde se lê: "Simão Pedro disse a eles: 'Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida'. Jesus disse: 'Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se tornar homem entrará no reino do céu".25

Metzger ergueu as sobrancelhas como se estivesse surpreso com o que ele mesmo dissera.

— Ora, esse não é o Jesus que conhecemos dos quatro evangelhos canônicos — concluiu enfaticamente.

— E quanto à acusação de que Tomé teria sido excluído propositadamente dos concílios da igreja por algum tipo de conspiração para silenciá-lo? — perguntei.

— Não há base histórica para isso — disse Metzger. — O que os sínodos e concílios fizeram no século v e nos seguintes foi ratificar o que já tinha sido acatado pelos cristãos em toda parte. Não é certo dizer que o Evangelho de Tome teria sido excluído por algum decreto do concilio. O certo é que o Evangelho de Tome excluiu a si mesmo! Ele não estava de acordo com os outros testemunhos sobre Jesus que os cristãos primitivos consideravam dignos de confiança.

— Então o senhor discordaria de quem quer que tentasse elevar Tome ao mesmo status dos quatro evangelhos? — perguntei-lhe.

— Sim, discordaria enfaticamente. Creio que a igreja primitiva agiu de modo sensato ao descartá-lo. Aceitá-lo agora, parece-me, seria aceitar algo de valor inferior aos outros evangelhos — replicou Metzger. — Mas não me entenda mal. Acho que o Evangelho de Tome é um documento interessante, embora contenha idéias panteístas e preconceituosas que sem dúvida o tornam indigno da companhia dos demais. É preciso entender que o cânon não resultou de uma série de disputas envolvendo políticas da igreja. O cânon, na verdade, é uma separação decorrente da visão intuitiva dos cristãos. Eles ouviam a voz do Bom Pastor no evangelho de João; mas, em Tome, ela soava obscura e distorcida em meio a uma porção de outras coisas. Quando o cânon foi oficialmente fixado, ele simplesmente ratificou o que a percepção generalizada da igreja já havia determinado. Como se vê, o cânon é uma lista de livros autorizados mais do que uma lista autorizada de livros. Esses documentos não têm autoridade pelo fato de terem sido escolhidos; cada um deles já tinha autoridade antes de serem

postos todos juntos. A igreja primitiva simplesmente foi sensível e percebeu que os relatos tinham autoridade. Se alguém disser que o cânon foi fixado só depois que os concílios e as igrejas fizeram seu pronunciamento, é como se dissesse: "Vamos pedir a várias academias de músicos para que digam que a música de Bach e Beethoven é maravilhosa". Eu diria: "Obrigado por nada! Sabíamos disso antes mesmo que o pronunciamento fosse feito". Sabemos disso porque temos a percepção do que é boa música e do que não é. O mesmo vale para o cânon.

Mesmo assim, ressaltei que alguns livros do Novo Testamento, principalmente Tiago, Hebreus e Apocalipse, demoraram mais para ser aceitos do que os demais.

— Isso seria motivo para que suspeitássemos deles? — perguntei-lhe.

— Na minha opinião, isso demonstra apenas como a igreja primitiva era cautelosa — foi a resposta. — Eles não se deixavam fascinar por qualquer documento novo com alguma referência sobre Jesus. Isso é prova de deliberação e de análise cuidadosa. E claro que, ainda hoje, setores da igreja síria recusam-se a aceitar o livro de Apocalipse, mas os fiéis daquela igreja são cristãos. Para mim, o livro de Apocalipse é uma parte maravilhosa das Escrituras.

Metzger balançou a cabeça.

— Acho que eles ficam mais pobres com essa recusa.

O Novo Testamento é incomparável

Metzger fora persuasivo. Não havia nenhuma dúvida que pudesse pôr sob suspeita o fato de que o texto do Novo Testamento havia chegado até nós com seu conteúdo preservado. Um dos predecessores ilustres de Metzger no Seminário Teológico de Princeton foi Benjamin Warfield, detentor de quatro doutorados e professor de teologia sistemática até sua morte em 1921. Ele dizia o seguinte:


Se comparamos o presente estado do texto do Novo Testamento com o de qualquer outra obra antiga, não há como não considerá-lo maravilhosamente correto. Foi grande o cuidado com que o Novo Testamento foi copiado — um cuidado que, sem dúvida, foi fruto de uma reverência genuína por suas palavras sagradas [...] O Novo Testamento não tem paralelo com nenhum escrito antigo no que se refere ao grau de pureza com que seu texto foi efetivamente transmitido e é usado.26
Com relação aos documentos que foram acolhidos pelo Novo Testamento, não há, de modo geral, nenhuma polêmica séria acerca da natureza da autoridade de 20 dos 27 livros que o compõem — de Mateus a Filemom, e mais 1 Pedro e 1João. Incluem-se aí também, é claro, os quatro evangelhos, que representam as biografias de Jesus.27 Os sete livros restantes "... foram aceitos plena e definitivamente...", de acordo com Geisler e Nix.28

No tocante às pseudepígrafes, a proliferação de evangelhos, epístolas e apocalipses nos primeiros séculos depois de Cristo, entre os quais o evangelho de Nicodemos, Barnabé, Bartolomeu, André, a epístola de Paulo aos Laodicenses, o apocalipse de Estevão e outros, "praticamente nenhum pai da igreja, cânon ou concilio declarou que um desses livros seria canônico. [...] O conteúdo deles resume-se em ensinos heréticos, eivados de erros".29 De fato, aceitei o desafio de Metzger e li vários deles.



Comparados à qualidade do testemunho ocular de Mateus, Marcos, Lucas e João, com seu cuidado, sobriedade e precisão, aqueles livros realmente merecem as palavras que lhes dedicou Eusébio, o historiador da igreja primitiva: "totalmente absurdos e ímpios".30
Eles estavam distantes demais do ministério de Jesus para dar alguma contribuição realmente significativa à minha investigação, já que foram escritos tardiamente, nos séculos V e VI. Além do quê, seu caráter freqüentemente mítico os desqualifica como documentos históricos confiáveis.

Concluída essa etapa, chegara o momento de seguir adiante com minha investigação. Tinha muita curiosidade em saber o quanto havia de evidências fora dos evangelhos acerca da existência desse carpinteiro fazedor de milagres do século I. Será que os historiadores confirmam ou contradizem as declarações do Novo Testamento sobre sua vida, ensinamentos e milagres? Sabia que isso me levaria a Ohio, para me encontrar com um dos mais destacados estudiosos do assunto do país.

Ao nos levantarmos, agradeci ao dr. Metzger pelo tempo que gastara comigo, bem como por seus esclarecimentos. Ele sorriu calorosamente e se ofereceu para me acompanhar até o andar inferior. Não queria mais tomar tempo algum de sua tarde de sábado, mas minha curiosidade não me permitiria sair de Princeton sem que eu satisfizesse uma última curiosidade.

— Todos esse anos de estudos, de erudição, escrevendo livros e se aprofundando nas minúcias do texto do Novo Testamento: que efeito teve tudo isso sobre sua fé pessoal? — perguntei-lhe.

— Oh — disse ele —, fico feliz por ter a oportunidade de falar sobre o assunto. Quando vejo a coerência de todo esse material que chegou até nós em uma multiplicidade de cópias, algumas delas antiqüíssimas, a base de minha fé pessoal só pode crescer.

— Então — eu disse — a erudição não apagou sua fé... Metzger me interrompeu antes que eu pudesse concluir a

frase.

— Pelo contrário: ressaltou. Ela ajudou a edificá-la. Sempre me questionei, aprofundei-me nos textos, estudei-os do começo ao fim, e hoje digo com certeza que minha fé em Jesus repousa sobre uma base muito sólida.



Ele fez uma pausa enquanto seus olhos me sondavam o rosto. Em seguida, acrescentou enfaticamente:

Muito sólida.



Ponderações

Perguntas para reflexão ou estudo em grupo
1. Depois de ler a entrevista com o dr. Metzger, como você avalia o processo pelo qual o Novo Testamento nos foi transmitido? Por que motivos você considera esse processo confiável ou não?

2. Examine uma versão qualquer do Novo Testamento e procure identificar algumas passagens que admitem variação, observando as notas marginais. Anote algumas das variações encontradas. De que modo a existência de variações influencia sua compreensão dessas passagens?

3. Você acha sensatos os critérios de admissão de um documento ao conjunto do Novo Testamento? Por que sim ou por que não? Existem outros critérios que deveriam ser levados em conta? Que desvantagens levam os estudiosos que procuram pressupor as decisões da igreja primitiva quanto à inclusão ou não de um documento na Bíblia?
Outras fontes de consulta

Mais recursos sobre esse tema
Bruce, F. E The canon of Scripture. Downers Grove, InterVarsity, 1988.

Geisler, Norman L. & William E. Nix. Introdução bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo, Vida, 1997.

Metzger, Bruce M. The canon of the New Testament. Oxford, Clarendon, 1987.

The text of the New Testament. New York, Oxford Univ., 1992.

Patzia, Arthur G. The making ofthe New Testament. Downers Grove, InterVarsity, 1995.

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A prova corroborativa
Existem evidências confiáveis a favor de Jesus

além de suas biografias?

Harry Aleman virou-se para mim de dedo em riste.

Você! — balbuciou, cheio de ódio. — Por que não pára de escrever sobre mim?

Depois, deu meia-volta e desapareceu pelas escadas dos fundos para escapar dos repórteres que o perseguiam pelo prédio do tribunal.

Era realmente difícil ser repórter policial em Chicago na década de 70 e não escrever sobre Harry Aleman. Afinal de contas, ele era o pistoleiro predileto do mundo do crime. E a população de Chicago, em uma atitude mórbida, adorava notícias sobre criminosos.

Os promotores queriam pôr Aleman atrás das grades a todo custo por causa de uma suspeita de execução a sangue-frio que ele teria cometido a pedido de seus chefes fora-da-lei. O problema, é claro, era a dificuldade em achar alguém que se dispusesse a depor contra um assassino com a reputação de Aleman.

Surgiu então a grande oportunidade que os promotores esperavam. Um dos antigos comparsas de Aleman, Louis Almeida, tinha sido preso quando se preparava para matar um funcionário de sindicato. Preso sob a acusação de uso ilegal de armas e sentenciado a dez anos de prisão, Almeida concordou em testemunhar contra Aleman em Chicago — se os promotores concordassem em demonstrar clemência para com ele.

Isso significava que Almeida tinha motivos para cooperar, o que sem dúvida nenhuma poderia comprometer um pouco a credibilidade de seu testemunho. Os promotores chegaram à conclusão de que seria preciso respaldar o testemunho dele para garantir a condenação de Aleman, por isso saíram em busca de alguém que pudesse confirmar o testemunho de Almeida.

O dicionário dá a seguinte definição para corroborar: "Dar força a; confirmar, comprovar". Assim, por exemplo, podemos dizer: "Ele corroborou meu relato do acidente". A prova corroborativa fortalece outro testemunho; ela afirma ou dá respaldo aos elementos essenciais do testemunho ocular. Pode ser uma informação de arquivo público, uma fotografia, um testemunho extra de uma segunda ou terceira pessoa. A prova corroborativa confirma todo o testemunho de uma pessoa ou pelo menos as partes fundamentais dele.

Na verdade, a prova corroborativa atua como as cordas metálicas que prendem as altas antenas, mantendo-as firmes e na posição correta. Quanto mais provas corroborativas houver, tanto mais fortalecido e confiável permanece o testemunho.

Mas onde é que os promotores iriam achar provas corroborativas para o depoimento de Almeida? A resposta veio de uma fonte surpreendente: um cidadão pacífico e obediente às leis chamado Bobby Lowe disse aos investigadores que estava passeando com seu cachorro quando viu Aleman assassinar o administrador de um sindicato. Apesar da terrível má fama de Aleman, Lowe concordou em respaldar a história de Almeida e testemunhar contra o criminoso.



O poder da corroboração

No julgamento de Aleman, Lowe e Almeida fascinaram os jurados com suas histórias. O relato de Almeida, que fora o motorista do carro de fuga, coincidia com a descrição objetiva do homicídio que Lowe presenciara em plena calçada pública, quando viu Aleman assassinar sua vítima, na noite de 27 de setembro de 1972.

Os promotores achavam que tinham cercado o caso do temido pistoleiro por todos os lados, mas, no decorrer do julgamento, sentiram que havia algumas peças soltas. Sua desconfiança veio à tona logo que Aleman optou por uma audiência perante o juiz.

No final do julgamento, as suspeitas dos promotores de que algo de muito ruim estava acontecendo se confirmaram: apesar do testemunho convincente de Lowe e Almeida, o juiz acabou declarando Aleman inocente e o libertou.

O que acontecera? Lembre-se de que esse fato aconteceu em Cook County, no Estado de Illinois, onde a corrupção medra em silêncio. Anos depois, veio a público que o juiz fora subornado com dez mil dólares em troca da absolvição de Aleman. Quando um agente do fbi revelou o que se passara, o juiz, já então aposentado, suicidou-se. A promotoria entrou novamente com a acusação de assassinato contra Aleman.

Na época em que o segundo julgamento foi instaurado, a lei tinha sido alterada, de modo que a promotoria pôde submeter o caso ao júri. E foi o que fizeram. Finalmente, passados 25 anos desde a ocorrência do crime, Aleman foi considerado culpado e condenado a 130 anos de cadeia.31

Apesar da demora, o caso Aleman mostra a importância da prova corroborativa. O mesmo vale quando lidamos com questões históricas. Já sabemos, por meio do depoimento do dr. Craig Blomberg, que nos evangelhos há prova ocular de excelente qualidade sobre a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Mas será que existe alguma outra prova que possa corroborar isso? Existem escritos fora dos evangelhos que afirmam ou respaldam algumas das informações fundamentais sobre Jesus ou o cristianismo primitivo?

Isto é, há alguma documentação extra que possa ajudar-nos a fechar o "caso Cristo", assim como o testemunho de Bobby Lowe encerrou o caso Harry Aleman? A resposta, de acordo com nossa próxima testemunha, é positiva. E é bem provável que o volume e a qualidade das provas nos deixem muito surpresos.



Terceira entrevista: Edwin M. Yamauchi, Ph.D.

Quando entrei no imponente edifício de alvenaria da Universidade de Miami, onde está localizado o escritório de Edwin Yamauchi, na pitoresca Oxford, Ohio, passei sob um arco de pedra onde se lia a seguinte inscrição: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Como um dos principais especialistas do país em história antiga, Yamauchi passou boa parte de sua vida em busca da verdade histórica.

Nascido no Havaí, em 1937, filho de imigrantes de Okinawa, Yamauchi é de origem humilde. Seu pai morreu logo depois do ataque dos japoneses a Pearl Harbor, obrigando sua mãe a ganhar o sustento com a parca remuneração que recebia das famílias abastadas. Embora não tivesse educação formal, ela incentivou o filho a ler e a estudar, presenteando-o com livros cheios de belas ilustrações, o que acabou instilando nele um amor duradouro pelo conhecimento.

Não há dúvida de que suas conquistas acadêmicas são impressionantes. Depois de se formar em hebraico e estudos helenísticos, Yamauchi fez mestrado e doutorado em estudos mediterrâneos na Brandeis University.

Yamauchi é membro de oito instituições, dentre elas a Rutgers Research Council, a National Endowment for the Humanities, a American Philosophical Society e outras. Ele estudou 22 línguas, entre as quais árabe, chinês, egípcio, russo, siríaco, ugarítico e até comanche.

No total, já apresentou 71 monografias perante sociedades de pesquisa; ensinou em mais de cem seminários, universidades e faculdades, como Yale, Princeton e Cornell; foi dirigente e depois presidente do Instituto de Pesquisas Bíblicas e presidente da Conferência sobre Fé e História; publicou 80 artigos em 37 periódicos acadêmicos.

Em 1968, participou das primeiras escavações no templo de Herodes, em Jerusalém. Encontraram-se ali provas da destruição do templo em 70 d.C. A arqueologia também é tema de vários de seus livros, como, por exemplo, The stones and the Scriptures [As pedras e as Escrituras], The Scriptures and Archeology [As Escrituras e a arqueologia] e The world of the first Christians [O mundo dos primeiros cristãos].

Embora nascido em um lar budista, Yamauchi segue a Cristo desde 1952, o ano em que nasci. Eu estava bastante curioso para saber se seu compromisso com Cristo, já tão antigo, não teria afetado sua avaliação da prova histórica. Será que ele permaneceria fiel aos fatos ou será que se sentiria tentado a tirar conclusões além das que as provas permitiam?

Percebi que Yamauchi portava-se de maneira gentil e despretensiosa. Apesar de seu jeito macio de falar, nota-se que é uma pessoa muito atenta. Suas respostas são completas e detalhadas, sempre interrompendo suas explicações para acrescentar cópias de artigos acadêmicos que escreveu sobre o assunto. Um bom especialista sabe que, quanto mais dados, melhor.

Sentamo-nos no interior de seu escritório abarrotado de livros, no coração de um campus cheio de árvores tingidas com o brilho das cores do outono, para conversar sobre um tema que ainda faz seus olhos brilharem, mesmo depois de tantos anos de pesquisa e ensino.



Confirmando os evangelhos

Não queria dar a entender — por causa de minha entrevista com Blomberg — que tínhamos de ir além dos evangelhos para buscar uma prova confiável sobre Jesus. Portanto, comecei fazendo a Yamauchi a seguinte pergunta:

— Como historiador, de que modo o senhor avalia a confiabilidade histórica dos evangelhos?

— De modo geral, os evangelhos são fontes de excelente qualidade — disse ele. — Na verdade, eles são as fontes mais confiáveis, completas e fidedignas sobre Jesus. As fontes incidentais realmente não apresentam informações muito detalhadas; todavia, são valiosas enquanto provas corroborativas.

— Muito bem — eu disse —, é isto o que quero discutir: a prova corroborativa. Sejamos francos: algumas pessoas zombam dizendo que esse tipo de prova é muito rara. Em 1979, por exemplo, Charles Templeton escreveu um romance intitulado Acts of God [Atos de Deus], em que um arqueólogo fictício fazia uma afirmação que reflete o que muita gente pensa.

Peguei o livro e li o parágrafo em questão:


A igreja [cristã] faz suas declarações com base, principalmente, nos ensinos de um judeu jovem e obscuro com pretensões messiânicas e que, a bem da verdade, não causou uma impressão muito significativa durante a vida. Não há uma palavra sequer a seu respeito na história secular. Nenhuma. Os romanos não o mencionam. Josefo apenas o cita, nada mais.32
— Então — eu disse incisivamente — isso não parece oferecer muita corroboração à vida de Jesus fora da Bíblia.

Yamauchi sorriu e balançou a cabeça.


— O arqueólogo de Templeton está simplesmente enganado — disse ele, fazendo pouco daquelas palavras — porque temos muitíssimas referências importantes sobre Jesus em Josefo e Tácito. Os próprios evangelhos dizem que muitos dos que o ouviram, até mesmo membros de sua família, não creram nele enquanto ele viveu; porém, a impressão que causou foi tanta que hoje Jesus é lembrado por toda parte, ao passo que Herodes, o Grande, Pilatos e outros legisladores antigos não são tão conhecidos assim. Portanto, ele certamente causou forte impressão naqueles que o conheceram.

Yamauchi fez uma pausa e depois acrescentou:

— Os que não acreditaram nele, logicamente, não ficaram impressionados.

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