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Verdadeiramente ressurreto dentre os mortos

Temos também vários volumes de escritos dos "pais apostólicos", autores dos primeiros livros cristãos posteriores ao Novo Testamento. São deles a epístola de Clemente de Roma, as epístolas de Inácio, de Policarpo, de Barnabé, e outros. Em muitas passagens, esses documentos confirmam os fatos básicos acerca de Cristo, principalmente seus ensinamentos, a crucificação, a ressurreição e a natureza divina de Cristo.

— Qual desses escritos o senhor considera mais importante? Yamauchi pensou um pouco antes de responder. Embora

não dissesse o nome do documento que considerava o mais importante, citou as sete cartas de Inácio como parte dos escritos mais importantes dos pais apostólicos. Inácio, bispo de Antioquia da Síria, foi martirizado durante o reinado de Trajano, antes de 117 d.C.

— O que torna Inácio importante — disse Yamauchi — é que ele enfatizou tanto a divindade de Jesus quanto sua humanidade, em oposição à heresia docética, que negava a realidade humana de Jesus. Ressaltou também os fundamentos históricos do cristianismo. Em uma de suas cartas, quando estava a caminho da execução, escreveu que Jesus foi de fato perseguido por Pilatos, foi verdadeiramente crucificado e verdadeiramente ressuscitado dos mortos e que os que acreditassem nele também seriam ressuscitados.43

Se juntarmos todos esses eventos — Josefo, os historiadores e as autoridades romanas, os escritos judaicos, as cartas de Paulo e dos pais apostólicos — teremos provas convincentes que corroboram em essência o que encontramos nas biografias de Jesus. Mesmo que jogássemos fora o último exemplar disponível dos evangelhos, ainda teríamos uma descrição de Jesus extremamente persuasiva — na verdade, teríamos um retrato do Filho unigênito de Deus.

Levantei-me e agradeci a Yamauchi por compartilhar comigo seu tempo e seu conhecimento.

— Sei que há muitas outras coisas sobre as quais poderíamos conversar, uma vez que já se escreveram livros inteiros sobre esse assunto — eu disse. — Antes, porém, de concluir-mos, gostaria de lhe fazer a última pergunta. E uma pergunta pessoal, se o senhor me permite.

O professor se levantou.

— Muito bem — disse ele —, vá em frente.

Olhei em torno de seu escritório modesto, repleto até o alto das paredes de livros e manuscritos, arquivos e periódicos, disquetes de computador e papéis, todos eles produto de uma vida inteira dedicada à pesquisa acadêmica sobre um mundo tão distante no tempo.
— O senhor passou 40 anos estudando história antiga e arqueologia — eu disse. — Quais foram as conseqüências disso para sua vida espiritual? Seus estudos fortaleceram ou fragilizaram sua fé em Jesus Cristo?

Yamauchi olhou momentaneamente para o chão, depois levantou a cabeça e me olhou diretamente nos olhos. Disse-me, então, com uma voz firme, porém sincera:

— Não há dúvida, meus estudos fortaleceram tremendamente minha vida espiritual e a enriqueceram. Graças a eles, entendo melhor a cultura e o contexto histórico dos acontecimentos. Isso não significa que eu não saiba que há algumas questões que ainda não foram totalmente respondidas; mas nunca saberemos de tudo nesta vida. Essas pendências nem sequer chegam a ameaçar minha fé na genuinidade do que há de fundamental nos evangelhos e no restante do Novo Testamento. Creio que as outras explicações, que procuram dar conta da disseminação do cristianismo por razões sociológicas ou psicológicas, são muito frágeis. — Ele sacudiu a cabeça. — Realmente muito frágeis.

Em seguida, acrescentou:

— Para mim, a prova histórica reforçou meu compromisso com Jesus Cristo como Filho de Deus, que nos ama e que morreu por nós, ressuscitando depois dentre os mortos. É muito simples.

A verdade que nos liberta

Ao sair do prédio de Yamauchi, mergulhei em um mar de alunos da faculdade que corriam de uma aula para a outra. Pensei em como havia sido satisfatória minha ida à pequena Oxford, em Ohio. Vim em busca de confirmação sobre Jesus e partia com uma rica bagagem de material que confirmava cada aspecto principal da vida de Cristo: seus milagres, sua divindade e sua vitória sobre a morte.

Sabia que nossa breve conversa tinha apenas arranhado a superfície do assunto. Eu levava debaixo do braço The verdict of history [O veredicto da história], que relera enquanto preparava a entrevista. Nesse livro, o historiador Gary Habermas lista um total de 39 fontes antigas que documentam a vida de Jesus. Dentre elas, Habermas enumera mais de cem com fatos relativos à vida de Jesus, seus ensinamentos, a crucificação e a ressurreição.44

Além disso, 24 das fontes citadas por Habermas, inclusive sete fontes seculares e diversos dos credos mais antigos da igreja, tratam especificamente da natureza divina de Jesus. "Esses credos mostram que a igreja não esperou de forma alguma a passagem de algumas décadas para só então falar da divindade de Jesus, como se costuma dizer com tanta freqüência na teologia contemporânea, uma vez que essa doutrina já se encontrava definitivamente presente na igreja primitiva", escreve Habermas. Sua conclusão: 'A melhor explicação para a existência desses credos é que eles representam, com muita propriedade, os ensinamentos de Jesus".45

Essa é uma corroboração surpreendente da afirmação mais importante feita pelo indivíduo mais influente que já viveu.

Fechei minha valise enquanto me dirigia para o carro. Olhei para trás mais uma vez e vi o sol de outubro iluminando a inscrição gravada na pedra que eu observara pela primeira vez em que entrei no campus dessa universidade totalmente secular: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".



Ponderações

Perguntas para reflexão ou estudo em grupo
1. Alguma vez na vida você duvidou da história de alguém até que lhe foi apresentada uma prova corroborativa? De que maneira essa prova pode ser comparada ao tipo de prova corroborativa apresentada pelo professor Yamauchi?

2. Qual das provas corroborativas apresentadas por Yamauchi você considera mais convincente? Por quê?

3. Segundo fontes antigas, os cristãos primitivos apegavam-se às suas crenças em vez de negá-las quando ameaçados de tortura. Na sua opinião, por que as convicções daqueles crentes eram tão sólidas?

Outras fontes de consulta

Mais recursos sobre esse tema
Bruce, F. F. Jesus and Christian origins outside the New Testament.

Grand Rapids, Eerdmans, 1974.



Habermas, Gary. The historical Jesus. Joplin, College Press, 1996. MacDowell, Josh & Bill Wilson. He walked among us. Nashville, Nelson, 1994.
5
A prova científica
A arqueologia confirma ou contradiz

as biografias de Jesus?

Havia algo de surrealista em meu almoço com o dr. Jeffrey MacDonald. Ele comia descontraidamente seu sanduíche de atum e batatas fritas em uma sala de conferências do tribunal da Carolina do Norte, tecendo comentários otimistas e desfrutando daquele momento. Numa sala ali perto, 12 jurados faziam uma pausa depois de terem ouvido a apresentação de provas terríveis de que MacDonald havia assassinado brutalmente a esposa e duas filhas pequenas.

Quando terminávamos nossa refeição, não pude deixar de fazer a MacDonald algumas perguntas óbvias:

— Como é que você pode agir como se nada tivesse acontecido? — perguntei-lhe em um tom de voz em que se misturavam o espanto e a indignação. — Não o preocupa nem um pouco o fato de os jurados o considerarem culpado?

MacDonald acenou displicente com o sanduíche pela metade na direção da sala do júri.

— Eles? — disse com um sorriso desdenhoso. — Jamais me condenarão!

Depois, como que se dando conta do cinismo de suas palavras, acrescentou rapidamente:

— Sabe, eu sou inocente.

Foi a última vez que o vi sorrir. Poucos dias depois, o ex-boina verde e médico de pronto-socorro foi considerado culpado por haver esfaqueado até a morte sua mulher, Colette, e suas filhas, Kimberly, de cinco anos, e Kristen, de dois. MacDonald foi imediatamente sentenciado à prisão perpétua e saiu algemado da sala do tribunal.



MacDonald, cuja história foi magistralmente recontada por Joe McGinniss em seu best-seller e no filme homônimo de TV, Fatal vision [Visão fatal], era arrogante ao ponto de achar que seu álibi o ajudaria a se livrar da acusação de homicídio.

Ele dissera aos investigadores que estava dormindo quando hippies drogados o acordaram no meio da noite. Disse que lutou com eles, foi esfaqueado e caiu inconsciente depois de atingido. Quando voltou a si, viu que sua família fora chacinada.

Desde o início os detetives desconfiaram. Na sala de estar, os sinais de uma luta de vida ou morte eram poucos. Os ferimentos de MacDonald eram superficiais. Embora não enxergasse bem, conseguiu não se sabe como dar descrições detalhadas de seus agressores, mesmo sem óculos.

Todavia, não basta o ceticismo para que alguém seja preso; era necessário que houvesse provas muito boas. Na casa de MacDonald, os detetives encarregados do caso utilizaram provas científicas para desfazer o emaranhado de mentiras e prendê-lo sob a acusação de assassinato.

Existem vários tipos de provas científicas normalmente utilizadas nos julgamentos, desde o exame de dna, passando pela antropologia forense até a toxicologia. No caso de MacDonald, foram a serologia (prova sangüínea) e as provas de vestígios que o mandaram para a prisão.

Por uma coincidência extraordinária — e para os promotores, fortuita —, todos os membros da família MacDonald tinham tipos de sangue diferentes. Pela análise dos locais onde foram encontradas as manchas de sangue, os investigadores puderam reconstruir a seqüência de eventos daquela noite fatídica — que contradizia a versão de MacDonald.

O estudo científico dos minúsculos fios azuis de um pijama, encontrados em várias partes da casa, também refutavam seu álibi. A análise microscópica mostrou que os furos do pijama de MacDonald não podiam ter sido feitos, como ele alegava, por um furador de gelo empunhado pelos intrusos. Em suma, foram os técnicos do fbi, vestidos com seus guarda-pós brancos de laboratório, os verdadeiros responsáveis pela condenação de MacDonald.46

A prova científica também pode contribuir de várias maneiras importantes para a determinação do grau de precisão dos relatos do Novo Testamento sobre Jesus. Embora a serologia e a toxicologia não possam elucidar de forma alguma a questão, uma outra categoria de prova científica — a disciplina da arqueologia — é de grande importância para a confiabilidade dos evangelhos.

Chamada às vezes de estudo do lixo durável, a arqueologia compreende a descoberta de objetos, arquitetura, arte, moedas, monumentos e outros vestígios de culturas antigas. Os especialistas estudam essas relíquias pára saber como era a vida na época em que Jesus caminhava pelas estradas poeirentas da Palestina antiga.

Já foram desenterradas centenas de descobertas arqueológicas do século I. Uma coisa me intrigava: será que elas respaldavam ou punham por terra os relatos de testemunhas ocu-lares da vida de Cristo? Ao mesmo tempo, minha curiosidade era dosada com ceticismo. Já tinha ouvido muitos cristãos fazendo declarações exorbitantes sobre a arqueologia, exagerando no que ela era capaz de provar. Não me interessava esse tipo de argumento.

Fui então consultar uma autoridade no assunto, que estivera pessoalmente escavando as ruínas no Oriente Médio.

Com um conhecimento enciclopédico sobre descobertas antigas e dotado de um comedimento científico que lhe permite reconhecer os limites da arqueologia, ele poderia me explicar de que modo a arqueologia é capaz de elucidar a vida no século I.



Quarta entrevista: John McRay, Ph.D.

Quando estudiosos e estudantes se debruçam sobre a arqueologia, muitos se voltam para o livro de McRay, uma obra didática completa de 432 páginas intitulada Archaeology and the New Testament [Arqueologia e o Novo Testamento]. Para certificar-se da precisão de seu programa Mysteries of the Bible [Mistérios da Bíblia], a Arts and Entertainment Television Network chamou McRay. E quando a National Geographic precisou de um cientista que pudesse explicar as complexidades do mundo bíblico, uma vez mais o telefone tocou no escritório de McRay, na respeitada Wheaton College, em um subúrbio de Chicago.

Tendo estudado na Universidade Hebraica, na École Biblique et Archéologique Française, em Jerusalém, na Vanderbilt University Divinity School e na Universidade de Chicago (onde fez seu doutorado em 1967), McRay é professor de Novo Testamento e de arqueologia em Wheaton há mais de 15 anos. Seus artigos já foram publicados em 17 enciclopédias e dicionários; sua pesquisa já apareceu no Bulletin of the Near East Archaeology Society e em outros periódicos acadêmicos, tendo apresentado 29 monografias especializadas em sociedades profissionais.

McRay é também ex-pesquisador adjunto e curador do Instituto de Pesquisas Arqueológicas F. Albright, de Jerusalém; ex-curador da American Schools of Oriental Research; atual curador da Near East Archaeological Society; e membro da diretoria editorial da Archaeology in the Biblical World e do Bulletin for Biblical Research, publicado pelo Institute for Biblical Research.

Da mesma forma como sente prazer em lecionar sobre o mundo antigo, McRay se entusiasma com as oportunidades de explorar pessoalmente as escavações arqueológicas. Ele supervisionou o trabalho das equipes de escavações em Cesaréia, Séforis e Heródio, todas em Israel, durante oito anos. Estudou pessoalmente sítios arqueológicos romanos na Inglaterra e no País de Gales, analisou escavações na Grécia e reconstituiu grande parte das viagens do apóstolo Paulo.

Aos 66 anos, de cabelos grisalhos e óculos de lentes cada vez mais grossas, McRay passa ainda um ar de aventura. Acima da escrivaninha, em seu escritório — e também em casa, acima da cama —, há uma fotografia horizontal de Jerusalém muito rica em detalhes.

— Vivo à sua sombra — observou com uma nota de saudade na voz, enquanto apontava os locais específicos das escavações e as principais descobertas.

McRay tem no escritório aquele tipo de sofá aconchegante que se vê nas varandas das casas de campo. Sentei-me, enquanto ele, de camisa de colarinho aberto e jaqueta esporte aparentemente muito confortável, recostava-se em sua cadeira.

Queria saber se ele exageraria a influência da arqueologia, por isso decidi começar a entrevista perguntando-lhe o que tinha a dizer em relação à confiabilidade do Novo Testamento. Afinal de contas, conforme ele ressaltava em seu livro, mesmo que a arqueologia conseguisse provar que as cidades de Medina e Meca existiram na Arábia ocidental durante os séculos VI e VII, isso não provaria que Maomé viveu ali ou que o Alcorão seja verdadeiro.

— A arqueologia trouxe algumas contribuições importantes — disse ele inicialmente, com um sotaque meio arrastado que adquiriu no Sul de Oklahoma — mas com certeza não é capaz de provar que o Novo Testamento é a Palavra de Deus. Se em nossas escavações em Israel encontrarmos sítios antigos cuja localização comprove o registro bíblico, isso significa que a informação histórica e geográfica contida na Bíblia está correta. Todavia, não prova que as palavras de Jesus Cristo sejam verdadeiras. As verdades espirituais não podem ser provadas ou rejeitadas pelas descobertas arqueológicas.

Como exemplo, McRay contou-me a história de Heinrich Schliemann, cuja procura pela cidade de Tróia tinha como objetivo comprovar a precisão histórica da Ilíada de Homero.

— Ele encontrou Tróia — McRay disse com um leve sorriso —, mas isso não era prova de que a Ilíada fosse verdadeira. Mostrava apenas a precisão de uma referência geográfica específica.



Fixados alguns limites para o alcance da arqueologia, eu estava ansioso para começar a explorar o que ela tinha a nos dizer sobre o Novo Testamento. Resolvi dar início a esse tópico com uma observação que colhi na minha experiência de jornalista investigativo na área legal.

À procura da verdade

Para saber se determinada testemunha estava dizendo a verdade, o jornalista ou o advogado tem de testar todos os dados do depoimento. Se a investigação mostrar que a pessoa forneceu dados imprecisos, a veracidade da sua história fica totalmente obscurecida. No entanto, se detalhes mínimos ficarem comprovados, temos a indicação — não conclusiva; só um indício — de que talvez a testemunha, em linhas gerais, prestou um depoimento confiável.

Por exemplo, se um homem dissesse que havia feito uma viagem de St. Louis a Chicago e mencionasse que parará em Springfield, Illinois, para ver Titanic no Cine Odeon, e que comprara uma barra grande de chocolate no barzinho do cinema, os investigadores verificariam se existe mesmo um Cine Odeon em Springfield, se o filme em exibição era aquele de fato e se havia no barzinho do cinema um chocolate da marca e do tamanho mencionados na época em que o homem disse ter passado por lá. Se os dados apurados estiverem em contradição com o depoimento, sua credibilidade fica seriamente comprometida. Se os detalhes forem confirmados, isso não prova que a história toda seja verdadeira, mas contribui muito para o fortalecimento do seu grau de precisão.

Em certo sentido, esse é o papel da arqueologia. Se os detalhes eventuais de um historiador antigo se mostram sempre corretos, isso faz com que tenhamos maior confiança em outros escritos desse mesmo historiador, embora não possam ser prontamente averiguados. Essa é a premissa.

Perguntei então a McRay o que pensava a respeito disso como arqueólogo profissional.

— A arqueologia confirma ou contraria o Novo Testamento quando confrontada com os detalhes de seus relatos?

McRay respondeu prontamente.

— Não há dúvida de que a credibilidade do Novo Testamento sai fortalecida — disse ele —, assim como a credibilidade de qualquer documento antigo sai fortalecida sempre que as escavações mostram a exatidão com que o autor descreveu determinado lugar ou evento.

Como exemplo, McRay citou suas escavações em Cesaréia, na costa de Israel, onde ele e outros trabalharam no porto de Herodes, o Grande.

Durante muito tempo, as pessoas questionaram a validade de uma afirmação de Josefo, o historiador do século i, de que esse porto era tão grande quanto o de Pireu, um dos principais portos de Atenas. As pessoas achavam que Josefo havia se enganado, porque, quando vemos as pedras acima da superfície da água no porto atual, ele não nos parece tão grande assim. Quando, porém, começamos as escavações submarinas, descobrimos que havia uma parte muito extensa do porto desmoronada debaixo da água e que suas dimensões totais eram de fato comparáveis ao do porto de Pireu. Portanto, Josefo tinha razão. Era mais uma prova de que Josefo sabia do que falava.

E quanto aos autores do Novo Testamento? Será que sabiam de fato sobre o que falavam? Queria pôr essa questão à prova com minhas próximas perguntas.

A precisão de Lucas como historiador

O médico e historiador Lucas é o autor do evangelho que leva seu nome e também do livro de Atos, que juntos formam um quarto do Novo Testamento. Conseqüentemente, é de extrema importância saber se Lucas era um historiador confiável.

— Quando os arqueólogos examinaram detalhadamente o que ele escreveu — eu disse — constataram que ele era cuidadoso ou pouco preciso?

— O consenso geral, tanto entre os estudiosos liberais quanto entre os conservadores, é de que o historiador Lucas é muito preciso — respondeu McRay. — Ele é erudito, eloqüente, seu grego é próximo do clássico, escreve como um homem estudado. As descobertas arqueológicas demonstraram reiteradas vezes que Lucas apresenta com exatidão o que tem a dizer.

Na verdade, acrescentou McRay, são diversos os casos, a exemplo da história do porto, em que os estudiosos inicialmente pensaram que Lucas tivesse se enganado em determinada referência. Descobertas posteriores, entretanto, confirmaram a correção do seu texto.

Em Lucas 3.1, por exemplo, o evangelista refere-se a Lisânias como tetrarca de Abilene por volta de 27 d.C. Durante anos, os especialistas citavam essa passagem como prova de que Lucas não sabia do que estava falando, uma vez que todo mundo sabia que Lisânias não fora tetrarca, e sim governador de Caleis cerca de meio século antes. Se Lucas não era capaz de acertar em um detalhe tão elementar quanto este, diziam, não se pode confiar em mais nada do que escreveu.

É aí que entra a arqueologia.

— Mais tarde, descobriu-se uma inscrição da época de Tibério, de 14 a 37 d.C, em que Lisânias aparece como tetrarca de Abila, perto de Damasco, exatamente como Lucas informara — explicou McRay. —Acontece que havia dois governadores chamados Lisânias! Mais uma vez Lucas provou ter razão.

Outro exemplo é a referência que Lucas faz, em Atos 17.6, a "politarcas", que a nvi traduz como "oficiais" da cidade de Tessalônica.

— Durante muito tempo, as pessoas achavam que Lucas havia se enganado, porque não havia provas de que o termo "politarcas" fora encontrado em algum documento romano da Antigüidade — disse McRay. Todavia, foi descoberta anos mais tarde uma inscrição em uma urna do século i que começava assim: "No tempo dos politarcas...". Se você for ao Museu Britânico poderá vê-la com os próprios olhos. Desde então, os arqueólogos já descobriram mais de 35 inscrições que falam dos politarcas, várias delas em Tessalônica e da mesma época a que Lucas se referia. Mais uma vez, os críticos estavam errados e Lucas tinha razão.

Entretanto, uma objeção logo me veio à mente.

— Sim, mas, em seu evangelho, Lucas diz que Jesus estava entrando em Jerico quando curou o cego Bartimeu, ao passo que Marcos diz que ele estava saindo.47 Essa contradição não seria suficiente para lançar dúvidas sobre a confiabilidade do Novo Testamento?

McRay não se mostrou incomodado com a objetividade da pergunta.

— De forma alguma — foi a resposta. — Isso só parece contraditório quando raciocinamos em termos contemporâneos, em que as cidades são construídas em um determinado lugar e ali permanecem. Não era esse necessariamente o caso no passado. Naquela época, Jerico consistia em pelo menos quatro agrupamentos distintos separados por cerca de 400 metros um do outro.


A cidade foi destruída e reerguida perto de uma outra fonte de água, ou de uma estrada nova, ou próximo de uma montanha, ou em um outro lugar qualquer. A questão é que se podia sair de um local onde Jerico fora construída e entrar em outro, como se saíssemos de um bairro de Chicago e fôssemos para outro.

— Então, o que o senhor está dizendo é que tanto Lucas quanto Marcos podiam estar com a razão?

— Exato. Jesus podia estar saindo de uma área de Jerico e entrando em outra ao mesmo tempo.

Uma vez mais, a arqueologia havia respondido a outra objeção a Lucas. Considerando-se o trecho extenso do Novo Testamento escrito por ele, é extremamente significativo que ele seja reconhecido por historiador escrupuloso e preciso, mesmo nos menores detalhes. Um arqueólogo de renome analisou as referências que Lucas faz a 32 países, 54 cidades e 9 ilhas, e não achou um erro sequer.48

A conclusão, portanto, é a seguinte: "Se Lucas esmerou-se tanto para que seu relato histórico fosse preciso", dizia um livro sobre o assunto, "qual seria a base lógica para supormos que ele fosse ingênuo ou impreciso quando falava de coisas muito mais importantes, não somente para ele, mas também para os outros?".49

Coisas, por exemplo, como a ressurreição de Jesus, a prova mais importante de sua divindade, que, segundo Lucas, fora firmemente estabelecida com "muitas provas indiscutíveis" (At 1.3).


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