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A confiabilidade de João e de Marcos

A arqueologia diz que Lucas é confiável, mas ele não é o único autor do Novo Testamento.


Não sei o que os cientistas diriam sobre João, cujo evangelho foi por vezes considerado suspeito pelos lugares que menciona e que não puderam ser identificados.

Para alguns estudiosos, se o evangelista não foi capaz de relatar com exatidão detalhes tão básicos, talvez também não tenha estado presente aos acontecimentos mais íntimos da vida de Jesus.

Essa conclusão, entretanto, passou por uma grande reviravolta em anos recentes.

— Várias descobertas mostraram que João é bastante preciso em seu relato — ressaltou McRay. — Por exemplo, João 5.1-15 narra a cura de um inválido por Jesus no tanque de Betesda. João diz que o tanque tinha cinco pórticos. Durante muito tempo, as pessoas usaram essa passagem como prova da falta de precisão do evangelista, já que tal lugar nunca fora encontrado. Há pouco tempo, foram feitas escavações no tanque de Betesda — que está cerca de 12 metros abaixo da terra — e foram de fato encontrados cinco pórticos, ou seja, cinco pavilhões ou passagens com colunas, exatamente como descrito por João. E há outras descobertas: o tanque de Betesda de Siloé, citado em João 9.7, o poço de Jacó, de João 4.12, a provável localização do pavimento de pedra perto do portão de Jafa, onde Jesus esteve diante de Pilatos, conforme João 19.13, e a própria identidade de Pilatos, tudo isso deu ao evangelho de João credibilidade histórica.

Isso coloca em xeque, portanto, a alegação de que o evangelho de João foi escrito muito tempo depois de Jesus e, por isso, seria inexato — concluí.

— Definitivamente — assegurou o arqueólogo.

Na verdade, McRay reiterava o que o dr. Bruce Metzger me havia dito sobre a descoberta arqueológica de um fragmento de um exemplar do capítulo 18 de João cuja data foi fixada pelos especialistas em papiros em 125 d.C. Ao demonstrar a existência de exemplares de João nessa época tão remota e num local tão distante quanto o Egito, a arqueologia punha definitivamente por terra a especulação de que João fora composto já num período bem adiantado do século 11, muito tempo depois de Jesus para que fosse confiável.

Outros estudiosos atacaram o evangelho de Marcos, geralmente considerado o primeiro relato escrito sobre a vida de Jesus. O ateu Michael Martin acusa Marcos de não conhecer a geografia da Palestina, o que, segundo ele, é prova de que o evangelista não poderia ter vivido na região na mesma época de Jesus. Ele cita especificamente Marcos 7.31: "A seguir, Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galiléia e a região de Decápolis".

— Como já foi salientado — disse Martin —, esse trajeto faria com que Jesus caminhasse no sentido contrário ao do mar da Galiléia.50

Depois que expus a crítica de Martin a McRay, ele franziu o cenho e, mais do que depressa, pegou uma versão grega do evangelho de Marcos e livros de referência na estante, abrindo um mapa da Palestina antiga sobre a escrivaninha.

— Ao que parece, esses críticos supõem que Jesus entrou em um carro e saiu a toda velocidade por uma rodovia interestadual, mas não foi obviamente o que ele fez — disse ele.

Lendo o texto original e levando em consideração o terreno montanhoso e as prováveis estradas da região, além do modo impreciso com que se usava o termo Decápolis para descrever uma confederação de dez cidades que sempre mudavam com o tempo, McRay traçou uma rota lógica no mapa que correspondia exatamente à descrição de Marcos.

— Quando pomos as coisas em seu contexto apropriado — concluiu ele —, não há por que contestar o relato de Marcos.

Novamente, graças à percepção da arqueologia, foi possível explicar o que parecia ser, no início, uma objeção ao Novo Testamento.

Quis saber de McRay um pouco mais a esse respeito: alguma vez ele deparara com uma descoberta arqueológica que contradizia uma referência neotestamentária?

Ele fez que não com a cabeça.

— A arqueologia nunca trouxe nada à tona que pudesse contradizer inequivocamente a Bíblia — garantiu, confiante.

— Pelo contrário, como vimos, muitas das opiniões de estudiosos céticos que durante anos foram tidas por "fatos" foram desacreditadas pela arqueologia.

Apesar disso, eu tinha ainda algumas dúvidas que precisava esclarecer. Consultei minhas anotações e me preparei para desafiar McRay com três enigmas muito antigos que eu achava que a arqueologia teria muita dificuldade em explicar.

Enigma 1: O censo

Segundo as narrativas do nascimento de Jesus, Maria e José tiveram de voltar à cidade natal de José, Belém, por exigência do censo.

— Vou diretamente ao ponto: isso me parece um absurdo

— eu disse. — Como é que o governo poderia obrigar todos os cidadãos a voltar à sua terra de origem? Existe alguma prova arqueológica de que esse censo ocorreu de fato?

McRay pegou calmamente um exemplar de seu livro.

— Na verdade, a descoberta de antigos formulários de re-censeamento lançou muita luz sobre essa prática — explicou ele à medida que folheava o livro. Ao encontrar a referência que procurava, citou uma ordem oficial do governo de 104 d.C:


Gaio Víbio Máximo, prefeito do Egito (declara): Tendo chegado o momento de realizar o censo de casa em casa, é necessário que se requeira a todos os que, por algum motivo, residam fora de suas províncias, que retornem às suas casas, para que cumpram o que requer integralmente a ordem do censo, e possam também atender diligentemente ao cultivo da parte que lhes cabe.51
— Como se vê — disse, fechando o livro —, este documento confirma a prática, muito embora essa maneira específica de recenseamento possa lhe parecer estranha. Um outro papiro, de 48 d.C, dá a entender que o censo era algo que envolvia a família toda.

Isso, entretanto, não resolvia completamente a questão. Segundo Lucas, o censo que levara José e Maria a Belém fora ordenado quando Quirino governava a Síria, durante o reinado de Herodes, o Grande.

— Existe uma questão muito séria aí — ressaltei — porque Herodes morreu em 4 a.C, e Quirino só começou a governar a Síria em 6 d.C, realizando pouco depois disso o censo. Temos uma grande lacuna aqui. De que modo o senhor lida com uma discrepância de datas tão gritante?

McRay sabia que eu estava lhe propondo uma questão com a qual os arqueólogos vinham se debatendo havia séculos.

— Um eminente arqueólogo — respondeu ele —, Jerry Vardaman, trabalhou muito nisso. Ele descobriu uma moeda com o nome de Quirino em letras bem pequenas, que chamamos de letras "micrográficas". Isso faz dele procônsul da Síria e da Cilícia de 11 a.C. até depois da morte de Herodes.

Fiquei confuso.

— O que isso significa? — perguntei.

— Significa que, aparentemente, havia dois Quirinos — respondeu ele. — Não é difícil encontrar várias pessoas com o mesmo nome romano, portanto, não há por que duvidar da existência de duas pessoas chamadas Quirino. O censo teria ocorrido durante o reinado do primeiro Quirino. Considerando que o censo era feito a cada 14 anos, a explicação é bastante satisfatória.

Achei um pouco especulativa essa explicação, mas, em vez de insistir nela, decidi arquivá-la mentalmente para usá-la mais tarde.

Depois de pesquisar um pouco mais, descobri que sir William Ramsay, o falecido professor e arqueólogo das Universidades de Oxford e Cambridge, na Inglaterra, havia proposto uma teoria semelhante. Ele concluiu, com base em várias inscrições, que, embora houvesse apenas um Quirino, ele havia governado a Síria em duas ocasiões distintas, o que abrangeria o período do censo anterior.52

Outros estudiosos salientaram que o texto de Lucas pode ser também traduzido da seguinte maneira: "Este censo aconteceu antes de Quirino se tornar governador da Síria", o que também resolveria o problema.53

A questão não ficou esclarecida do jeito que eu queria. Todavia, eu tinha de admitir que McRay e os outros tinham apresentado algumas explicações plausíveis. Só pude concluir com certeza que os censos haviam sido feitos no período que compreende o nascimento de Jesus e que havia indicações de que as pessoas tiveram de fato de voltar à sua terra natal — o que eu achava muito esquisito!



Enigma 2: A existência de Nazaré

Muitos cristãos não sabem que há muito tempo os céticos dizem que Nazaré jamais existiu durante a época em que o Novo Testamento diz que Jesus passou a infância ali.

Em um artigo intitulado "Onde Jesus nunca esteve", o ateu Frank Zindler observa que Nazaré não é mencionada no Antigo Testamento, nem pelo apóstolo Paulo, nem pelo Talmude (embora outras 63 cidades sejam mencionadas), nem por Josefo (que cita 45 cidades e aldeias da Galiléia, inclusive Jafa, que ficava apenas a pouco mais de um quilômetro da Nazaré atual). Nenhum historiador ou geógrafo da Antigüidade menciona Nazaré antes do início do século IV. 54 O nome aparece pela primeira vez na literatura judaica em um poema escrito por volta do século VII d.C. 55

A falta de provas dá margem a um quadro muito suspeito. Por isso, apresentei sem rodeios o problema a McRay:

— Existe alguma confirmação arqueológica de que Nazaré tenha existido durante o século I?

Essa questão não era novidade para McRay.

— O dr. James Strange, da Universidade do Sul da Flórida, é especialista nessa área. Ele descreve Nazaré como um lugar muito pequeno, de cerca de 60 acres, com uma população de, no máximo, 480 pessoas no início do século I — disse McRay.

Essa, entretanto, era a conclusão; eu queria a prova.

— Como ele sabe disso? — perguntei.

— Bem, Strange observa que, no ano 70 d.C, data da queda de Jerusalém, não havia mais necessidade de sacerdotes no templo porque ele havia sido destruído; por isso, eles foram enviados para diversos lugares, inclusive para a Galiléia. Os arqueólogos encontraram uma lista em aramaico onde aparecem 24 "séries", ou famílias de sacerdotes remanejados, sendo que um deles consta como enviado a Nazaré. Isso mostra que aquela pequena aldeia já existia naquela época.

Além disso, McRay disse que algumas escavações arqueológicas trouxeram à luz sepulturas do século I nas vizinhanças de Nazaré, o que definiria os limites da aldeia, uma vez que, de acordo com as leis judaicas, os sepultamentos tinham de se dar fora do perímetro das cidades. As tumbas continham objetos tais como lâmpadas de cerâmica, vasos de vidro e jarras que seriam dos séculos I, III ou IV.

McRay pegou o exemplar de um livro do renomado arqueólogo Jack Finegan, publicado pela Princeton University Press. Folheou-o, depois leu a análise de Finegan: "Conclui-se, pelas sepulturas [...] que Nazaré era um povoado claramente estabelecido no período romano". 56 McRay olhou para mim.

— Há muita discussão acerca da localização de alguns lugares do século I, tal como o local exato da sepultura de Jesus, mas os arqueólogos jamais duvidaram da localização de Nazaré. O ônus da prova cabe aos que duvidam de sua existência.

Fazia sentido. Até Ian Wilson, normalmente muito cético, reconheceu, ao citar vestígios pré-cristãos encontrados em 1955 sob a Igreja da Anunciação, na Nazaré atual, que "tais descobertas eram sinal de que Nazaré deveria existir na época de Jesus, mas sem dúvida devia tratar-se de um lugar muito pequeno e insignificante".57

Tão insignificante que o comentário de Natanael em João 1.46 faz mais sentido agora: "Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?".

Enigma 3: Massacre em Belém

O evangelho de Mateus descreve uma cena pavorosa: Herodes, o Grande, rei da Judéia, sentindo-se ameaçado pelo nascimento de um bebê que ele temia, porque poderia acabar tirando-lhe o trono, enviou suas tropas e ordenou que matassem todas as crianças de Belém com menos de dois anos. Advertido, porém, em sonhos por um anjo, José foge do Egito com Maria e Jesus. Só depois da morte de Herodes é que eles voltam a morar em Nazaré. Esse episódio seria o cumprimento de três profecias antigas sobre o Messias. (V. Mt 2.13-23.)

O problema é que não há nenhuma confirmação fora da Bíblia de que esse massacre tenha de fato ocorrido. Não existe nada nos escritos de Josefo ou de outros historiadores a esse respeito. Não há respaldo arqueológico, nem registros ou documentos.

— Certamente um evento desse porte teria sido notado por outra pessoa além de Mateus — insisti. — Na ausência absoluta de qualquer corroboração histórica ou arqueológica, não seria lógico deduzir que esse massacre jamais aconteceu?

— Entendo por que você diz isso — respondeu McRay —, uma vez que um episódio dessa magnitude apareceria com destaque na cnn e nos outros canais de mídia noticiosa.

Concordei. Na verdade, entre 1997 e 1998, houvera um fluxo constante de novos relatos sobre ataques-surpresa de extremistas muçulmanos na Argélia durante os quais foram assassinadas praticamente aldeias inteiras, inclusive mulheres e crianças. O mundo inteiro ficou sabendo.

— Mas — acrescentou McRay — é preciso que você volte no tempo até o século I e tenha algumas coisas em mente. Em primeiro lugar, Belém não deveria ser muito maior que Nazaré; portanto, quantos bebês com menos de dois anos existiriam em uma aldeia com uma população de cerca de 500 ou 600 pessoas? Milhares? Centenas? Provavelmente muito poucos. Em segundo lugar, Herodes, o Grande, era um rei sanguinário: ele matou gente da própria família; executou inúmeras pessoas que julgava capazes de desafiá-lo. Portanto, o fato de ter matado algumas crianças em Belém não despertaria maior atenção no mundo romano. Em terceiro lugar, não havia televisão, rádio nem jornais. Demoraria muito tempo até que a notícia se espalhasse, principalmente partindo de uma pequena aldeia perdida além das montanhas. Os historiadores tinham coisas mais importantes com que se preocupar.

Como jornalista, eu não conseguia imaginar uma coisa dessas.

— Não lhe parece uma história incrível? — perguntei meio incrédulo.

— Não acho que seja, pelo menos não naquela época — disse ele. — Um louco mandando matar todos os que considerava uma ameaça em potencial para ele: isso não era novidade para Herodes. Mais tarde, é claro, à medida que o cristianismo foi se desenvolvendo, esse incidente ganhou importância, mas eu ficaria surpreso se um episódio desses fizesse muito estardalhaço na época.

Talvez, mas era difícil para um jornalista, acostumado a farejar notícias em uma era de alta tecnologia e de rápida comunicação mundial, imaginar tal coisa. Ao mesmo tempo, eu tinha de admitir, com base no que sabia acerca da história sangrenta da Palestina antiga, que a explicação de McRay era plausível.

Isso me levou a outra questão que eu desejava esclarecer. Para mim, era a mais fascinante de todas.



O enigma dos manuscritos do mar Morto

Sem dúvida, a arqueologia fascina. Sepulturas antigas, inscrições crípticas gravadas em pedra ou escritas em papiros, cacos de cerâmica, moedas desgastadas — são pistas tentadoras para qualquer investigador inveterado. Poucos vestígios do passado, porém, geraram mais intriga que os manuscritos do mar Morto, uma coleção de centenas de manuscritos que remontam ao período de 250 a.C. a 68 d.C, encontrados em cavernas cerca de 32 quilômetros a leste de Jerusalém, em 1947. Ao que tudo indica, foram escondidos por uma seita rigorosa de judeus, os essênios, antes que os romanos destruíssem seu povoado.

Os manuscritos dão margem a algumas alegações muito estranhas, inclusive uma, que se encontra no livro de John Marco Allegro, segundo a qual o cristianismo teria emergido de. uma seita que pregava a fertilidade e cujos adeptos alimentavam-se de um cogumelo alucinógeno! 58 Em uma declaração muito polêmica, porém mais legítima, o especialista em papiros José O'Callaghan afirmou que os fragmentos do mar Morto são parte de um manuscrito mais antigo encontrado no evangelho de Marcos que data de cerca de 20 anos depois da crucificação de Jesus. Todavia, muitos estudiosos continuam a duvidar dessa interpretação.59

Seja como for, nenhuma investigação arqueológica do século I que se preze poderia deixar de lado os manuscritos do mar Morto.

— Será que eles nos informam objetivamente alguma coisa sobre Jesus? — perguntei a McRay.

— Bem, não, Jesus não é mencionado especificamente em nenhum dos manuscritos — respondeu ele. — Basicamente, esses documentos nos dão alguns esclarecimentos sobre a vida e os costumes dos judeus.

Em seguida, McRay pegou alguns jornais e mostrou-me um artigo publicado em 1997.

— Muito embora — acrescentou ele — haja um desenvolvimento muito interessante em um manuscrito chamado 4q521. Ele poderia nos dizer algo sobre quem Jesus afirmava ser.

Aquilo aguçou minha curiosidade.

— Diga-me do que se trata — eu disse com um tom de urgência na voz.

McRay desvendou o mistério. O evangelho de Mateus descreve como João Batista, quando estava preso e lutava com dúvidas sobre a identidade de Jesus que teimavam em assaltá-lo, mandou que seus seguidores fizessem a Jesus uma pergunta de monumental importância: "És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?" (Mt 11.3). Ele queria saber, sem sombra de dúvida, se Jesus era mesmo o Messias tão aguardado.

Ao longo dos séculos, os cristãos sempre refletiram muito sobre a resposta enigmática que Jesus deu a essa pergunta. Em vez de dizer objetivamente sim ou não, Jesus disse: "Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres" (Mt 11.4,5).

A resposta de Jesus era uma alusão a Isaías 61. Mas, por alguma razão, Jesus acrescentou a frase "os mortos são ressuscitados", que claramente não faz parte do texto do Antigo Testamento.

É aí que entra o 4q521. Esse manuscrito extrabíblico, pertencente à coleção dos manuscritos do mar Morto, escrito em hebraico, remonta a 30 anos do nascimento de Jesus. Ele contém uma versão de Isaías 61 em que consta a frase "os mortos são ressuscitados".

— Craig Evans, especialista nos manuscritos, ressaltou que essa frase do 4q521 pertence sem dúvida nenhuma ao contexto messiânico — disse McRay. — Ela se refere às maravilhas que o Messias fará quando vier e quando o céu e a terra lhe obedecerem. Portanto, quando Jesus respondeu a João, ele não estava sendo nem um pouco ambíguo. João teria reconhecido imediatamente suas palavras como uma afirmação objetiva de que ele era o Messias.

McRay passou-me o artigo em que as palavras de Evans eram citadas: "O 4q521 deixa claro que a referência de Jesus a Isaías 61 é verdadeiramente messiânica. Basicamente, Jesus está dizendo a João, por meio de seus mensageiros, que coisas messiânicas estão ocorrendo. Isso, portanto, responde à pergunta de João: Sim, ele é o que haveria de vir". 60

Recostei-me na cadeira. Para mim, a descoberta de Evans confirmava de modo extraordinário a identidade de Jesus. Fiquei atônito ao ver como a arqueologia moderna era capaz de, finalmente, desvendar o significado de uma declaração em que Jesus afirmava ousadamente, há aproximadamente mil anos, que ele era, de fato, o Ungido de Deus.

"Um livro de referência de extraordinária precisão"

A arqueologia já confirmou repetidas vezes a exatidão do Novo Testamento, corroborando sobremaneira sua confiabilidade. Já o mormonismo não resistiu à investigação arqueológica, que se mostrou devastadora.

Embora Joseph Smith, o fundador da igreja mórmon, afirmasse que sua obra O livro de Mórmon era "o livro mais preciso de todos sobre a face da terra", 61 a arqueologia sempre derrubou suas reivindicações de veracidade em relação a eventos que teriam ocorrido há muito tempo nas Américas.

Lembro-me de ter escrito ao Instituto Smithsoniano para saber deles se havia alguma prova que respaldasse as alegações do mormonismo. Disseram-me, em termos inequívocos, que os arqueólogos não viam "nenhuma ligação direta entre a arqueologia do Novo Mundo e o assunto tratado pelo livro em questão".

Conforme concluíram autores como John Ankerberg e John Weldon em um livro sobre o assunto, "em outras palavras, nenhuma das cidades citadas pelo O livro de Mórmon jamais foi localizada; nenhuma pessoa, nenhum lugar, nenhuma nação ou nome jamais foi localizado; tampouco quaisquer objetos mencionados no livro citado, nenhuma escritura do O livro de Mórmon, nenhuma inscrição... nada jamais foi encontrado que demonstre que O livro de Mórmon não passa de um mito ou de invenção".62

Todavia, a história muda completamente de figura quando se menciona o Novo Testamento. As conclusões de McRay encontram eco em muitos outros cientistas, inclusive no proeminente arqueólogo australiano Clifford Wilson, segundo o qual "os que conhecem os fatos reconhecem agora que o Novo Testamento deve ser acolhido como um livro de referência de extraordinária precisão".63

Craig Blomberg mostrara que os documentos que compõem o Novo Testamento são intrinsecamente confiáveis; Bruce Metzger provara que sua transmissão ao longo da história não os corrompeu; Edwin Yamauchi estabelecera que historiadores da Antigüidade, além de outros, os confirmam amplamente; e agora John McRay havia demonstrado que a arqueologia comprova sua veracidade. Eu tinha de concordar com Wilson, A defesa de Cristo, embora longe de estar completa, estava sendo erguida em alicerce sólido.

Ao mesmo tempo, eu sabia que havia alguns professores muito conceituados que discordariam da minha avaliação. Eles são muito citados pela Newsweek e entrevistados em noticiários noturnos expondo sua reavaliação radical sobre Jesus. Chegara a hora de eu confrontar suas críticas antes de prosseguir com minha investigação. Isso me obrigaria a uma viagem a Minnesota para entrevistar um estudioso formado em Yale, muito beligerante, o dr. Gregory Boyd.



Ponderações

Perguntas para reflexão ou estudo em grupo
1. Quais são as limitações e os benefícios da arqueologia para a corroboração do Novo testamento?

2. O fato de Lucas e outros autores do Novo Testamento relatarem com exatidão detalhes incidentais faz com que você creia que tenham também relatado com precisão eventos mais importantes? Sim ou não? Explique.

3. De modo geral, você acha plausível ou não a análise de McRay sobre os enigmas relativos ao censo, à existência de Nazaré e ao massacre de Belém?

2. Depois de examinar as provas oculares, documentais, corroborativas e científicas referentes à defesa de Cristo, pare e medite sobre suas conclusões até este momento. Em uma escala de zero a dez, sendo o zero "falta de confiança" na confiabilidade dos evangelhos e dez "confiança total", que nota você daria para si mesmo até agora? Por quê?


Outras fontes de consulta

Mais recursos sobre esse tema

Finegan, Jack. The Archaeology of the NewTestament. Princeton, Princeton Univ. Press, 1992.

McRay, John. Archaeology and the New Testament. Grand Rapids, Baker, 1991.

Thompson, J. A. The Bible and Archaeology. Grand Rapids,

Eerdmans, 1975.



Yamauchi, Edwin. The stones and the Scriptures. New York, J. B. Lippencott, 1972.
6
A prova da contestação
O Jesus da história é o mesmo

Jesus da fé?

Sempre acontece nas reprises de Perry Mason e nos livros policiais, mas quase nunca nos casos legais da vida real. Quando uma testemunha ocular, num julgamento por homicídio, se recusou a apontar o réu como o assassino, assumindo a culpa e confessando ser o autor do crime, e não o acusado, todo o tribunal ficou surpreso. Foi essa história surpreendente que publiquei no Chicago Tribune.

Richard Moss fora acusado de matar a tiros um jovem de Chicago em frente a um bar da zona noroeste da cidade. Ed Passeri, amigo de longa data de Moss, fora chamado ao banco das testemunhas para descrever a discussão que terminara em morte.

Passeri descreveu a cena ocorrida do lado de fora do Rusty Nail Pub. O advogado de defesa perguntou-lhe o que acontecera à vítima.

Sem vacilar, Passeri disse que, depois de ser atacado pela vítima com um par de tesouras, atirara nela.

O transcritor ficou boquiaberto. Os promotores ergueram as mãos. O juiz interrompeu imediatamente a sessão para lembrar a Passeri que a lei lhe dava garantias contra a auto-incriminação. Em seguida, o acusado levantou-se para confirmar que fora de fato Passeri quem cometera o crime.

— O que Passeri fez (ao confessar) foi uma demonstração de coragem — disse entusiasmado o advogado de defesa.

Mas os promotores não se deixaram convencer.

— Coragem o quê! — exclamou um deles. — Passeri sabe que não está sendo processado, porque a única prova que o Estado tem aponta para Richard Moss!



Convictos, porém, da culpa de Moss, os promotores sabiam ter de apresentar um testemunho muito convincente para derrubar a afirmação de Passeri. Em terminologia legal, eles precisavam de uma "prova de refutação", isto é, qualquer prova que pudesse ser apresentada e que "explicasse, contrariasse ou desacreditasse" o depoimento de uma testemunha.64

No dia seguinte, os promotores interrogaram outras três testemunhas oculares segundo as quais não havia dúvida de que Moss havia cometido o crime. Assim, com base nessa prova e em outras, os jurados decidiram que Moss era culpado.65

Os promotores fizeram a coisa certa. No momento em que a força incontestável das provas deixou clara a culpa do réu, eles agiram com sabedoria, mostrando-se céticos em face de uma alegação sem respaldo feita por alguém interessado em ajudar dissimuladamente um amigo.

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