MigraçÕes na



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_______________________________________________________________________ Resenha MIGRAÇÕES NA ATUALIDADE – nº 75, p.




EDITORIAL 1

ITALIANO 2

Gli effetti dalla crisi e alcune risposte possibili 2

La crisi morde anche le briciole: in calo le rimesse dei migranti 5

Il nemico straniero in fabbrica 6

Disabili, donne e stranieri più colpiti dalla recessione 8

Nazioni Unite: immigrati, una risorsa per l’economia mondiale 9

Imprenditoria straniera forza per economia capitale 9

PORTUGUÊS 10

Crise financeira deverá estimular migração, diz relatório da ONU 10

Após crise, desemprego alimenta xenofobia e assombra estrangeiros 11

Crise internacional frustra sonho brasileiro no Japão 12

Situação de brasileiros demitidos no Japão é grave 13

Crise faz com que brasileiros desistam do 'sonho espanhol' 14

Crise econômica faz imigrantes adiarem o sonho americano 15

ENGLISH 17

As the Global Economy Sinks, Tensions Over Immigration Rise 17

Stop scapegoating immigrants for the economic crisis: UFCW Canada 18

Global Financial Crisis, Poverty, and Migration 18

Europe’s Immigrants Return Home 19

Economic downturn weighs on Filipino migrant laborers 20

Immigration reform tough during crisis, Biden says 21

ESPAÑOL 22

Deportados o sin trabajo 22

La crisis amenaza a los inmigrantes 23

El desempleo en Estados Unidos se centra en negros e hispanos 26

La crisis potencia abusos a migrantes: defensores del trabajador 26

Recesión mundial - Más sufrimiento para migrantes 28

Los migrantes traen soluciones 31


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Resenha MIGRAÇÕES NA ATUALIDADE – Ano 20 – nº 75 – junho 2009

Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios – www.csem.org.br
Ser migrante em tempos de crise




















EDITORIAL


No século IV, Ambrósio, bispo de Milão, em seu tratado “De Officiis Ministrorum” assim escrevia: “naquele período em Roma as pessoas passavam fome e, como costuma acontecer nessas situações, o povo exigia que os estrangeiros fossem expulsos da cidade”.

Algo análogo está acontecendo na atualidade: diante de uma crise econômica comparável à grande depressão de 1929, os principais prejudicados continuam sendo os mais vulneráveis e, sobretudo, os menos culpados pela conjuntura. Nihil sub sole novi!

A crise econômica contemporânea afeta sobretudo os estrangeiros em situação irregular, devido principalmente à precariedade do trabalho. Mas também os migrantes que continuam trabalhando ficam mais vulneráveis, sendo pressionados, ainda mais, a desenvolver silenciosamente atividades perigosas e mal-remuneradas.

A crise repercute-se também na redução das remessas, o que atinge diretamente os familiares e, em sentido mais amplo, o desenvolvimento de países economicamente mais pobres. De acordo com o Banco Mundial, até 2011 haverá mais de um bilhão de pessoas vivendo na pobreza absoluta, com um aumento de cerca de 90 milhões pessoas. A abrupta redução das remessas pode gerar também sérios problemas de ordem social, sobretudo em países em que as remessas dos migrantes geraram situações de dependência.

Nesta conjuntura, são numerosas as notícias de retorno de migrantes para as terras de origem – inclusive migrantes internos, como o caso da China. Se as vantagens econômicas justificavam as numerosas renúncias e conflitos inerentes ao processo migratório, não faz mais sentido continuar sofrendo longe de casa sem possibilidades reais de melhorar de vida. O retorno, todavia, não é algo generalizado: há também quem opta por resistir neste período de crise – inclusive reduzindo ou deixando de enviar remessas – na espera de tempos melhores.

Mas as consequências da crise não são apenas econômicas. Ilvo Diamanti, num texto desta Resenha, apresenta uma interessante reflexão sobre as mudanças de representação social dos migrantes nos países economicamente mais ricos da UE, em decorrência da crise econômica. Fundamentando-se em pesquisas, esse autor sustenta que o migrante deixou de ser percebido, prioritariamente, como uma ameaça à segurança nacional para torna-se um perigo para o emprego dos trabalhadores autóctones. Ao que parece, a questão cultural também está sendo relativizada, pois há reações negativas inclusive pela presença de trabalhadores oriundos de outros países da União Européia e, até, da Europa Ocidental. Alastram-se, em vários países, posturas e sentimentos xenófobos.

Chama a atenção, neste sentido, uma declaração do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, de acordo com o qual este período de crise e de desemprego não é favorável para uma reforma da lei migratória que trate da regularização de migrantes em situação irregular. Essa declaração revela que nos EUA também o foco da questão migratória passou da segurança para o trabalho. Além disso, o vice-presidente não esclareceu de que forma a manutenção de cerca de 12 milhões de migrantes irregulares no país vai melhorar o emprego dos cidadãos norte-americanos. Será que, na realidade, Biden queria dizer que a economia estadunidense necessita, neste momento de crise, de um contingente de trabalhadores ainda mais vulnerável, dócil e submisso?

Contrariando estas visões, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, em ocasião do II Fórum mundial sobre migrações e desenvolvimento tem realçado um aspecto importante: as migrações internacionais não são o problema, e sim a solução. Em primeiro lugar, há vários anos, os empreendedores estrangeiros têm tido um papel econômico expressivo em vários países, sobretudo da UE, contribuindo com uma boa fatia do PIB. Em segundo lugar, os migrantes contribuem para o desenvolvimento dos países de origem, mediante envio de remessas, o que pode reduzir a pressão migratória e, ao mesmo tempo, “aquecer” a economia internacional, além, claramente, de constituir um importante recurso na promoção dos direitos humanos.

Partilha da mesma opinião Eugenio Ambrosi, da OIM, conforme o qual é necessário mudar de paradigma de pensamento, pois “la migración es uno de los agentes más influyentes de la economía porque es un factor que le aporta dinamismo, eficiencia y ayuda para su desarrollo. Por lo tanto, del escenario actual de crisis no se saldrá restringiendo o bloqueando estos grandes movimientos humanos”.

Enfim, lembrando da reflexão inicial de Ambrósio de Milão, a comunidade internacional pode continuar em busca de “bodes expiatórios” a fim de ocultar as reais causas da crise e reduzir – ilusoriamente – a sensação de medo e incerteza que se alastra no meio da população, ou então, pode optar por uma mudança de paradigma, reconhecendo que os migrantes internacionais podem ser um importante instrumento para a superação da atual crise e a construção de um sistema econômico mundial mais seguro, justo, participativo e humano.


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